A Corregedoria da Receita Federal estima que o montante de propinas recebidas pelo ex-chefe do Fisco no porto de Itajaí, em Santa Catarina, Marcus Vinícius Nali Simioni Filho, pode chegar a R$ 5 milhões. O valor, pago por empresários em troca de facilidades em procedimentos portuários, supera as primeiras estimativas, que apontavam R$ 2 milhões.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, Simioni usava seu cargo para criar mecanismos logísticos que beneficiavam os envolvidos no esquema. Os repasses eram feitos em dinheiro, depósitos e quitação de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartão de crédito e aquisição de bens.
A Corregedoria apontou indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida do auditor e sua remuneração oficial, além de movimentações financeiras suspeitas. A Receita também identificou possíveis favorecimentos a intervenientes aduaneiros e recebimento de vantagens indevidas.
Operação Benaia
Na terça-feira, 2, a Polícia Federal, em conjunto com a Corregedoria da Receita, realizou buscas na Operação Benaia. O auditor foi afastado de suas funções no porto até a conclusão da apuração. Simioni tomou posse como delegado da Alfândega em maio de 2022 e permaneceu no cargo até 23 de julho de 2025.
O inquérito revela que Simioni mantinha empresas registradas em nome de familiares para ocultar a origem dos valores recebidos ilegalmente, dando aparência de legalidade ao dinheiro. A PF acredita que o material apreendido ajudará a identificar outros envolvidos e eventuais novos crimes.
Declarações da Receita
O corregedor da Receita, Guilherme Bibiani Neto, afirmou que a operação conjunta com a PF visa coibir ilícitos funcionais e desarticular práticas irregulares de despachantes aduaneiros e intermediários. “Esse tipo de ação proativa é fundamental para que a Receita Federal defenda a integridade do órgão e mantenha uma aduana hígida”, disse Bibiani.
Bibiani reforçou o compromisso da Receita com a integridade e o controle aduaneiro, destacando que irregularidades cometidas por servidores prejudicam o serviço da aduana e o comércio internacional.
O Estadão busca contato com a defesa de Nali Simioni. O espaço está aberto para manifestações.



