Rebelião em Potim começa após visitantes barradas; dois mortos
Rebelião em Potim: visitantes barradas, dois mortos

Uma rebelião na Penitenciária I de Potim (SP) resultou na morte de dois detentos e deixou outros quatro feridos no último sábado (20). De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil, o motim teve início após duas mulheres terem a entrada barrada na unidade durante o dia de visitas, por suspeita de portarem objetos ilícitos no corpo.

Motivação do conflito

Segundo o boletim, a revista corporal com scanner, procedimento padrão de segurança, identificou algo suspeito nas visitantes. Diante da suspeita, o acesso foi proibido, o que gerou reação imediata dos detentos. Companheiros das mulheres barradas passaram a ameaçar servidores e iniciaram o motim no pavilhão 5. "Companheiros das referidas visitantes passaram a ameaçar os servidores e a afirmar que, caso as visitantes não fossem autorizadas a ingressar no estabelecimento, iniciariam a execução de outros detentos e manteriam familiares presentes no local sob restrição de liberdade", afirma o documento.

Liderança e violência

O boletim aponta que os detentos Anderson Luiz Cesário, conhecido como “Batata”, e Gabriel Nogueira Carvalho de Jesus teriam comandado a rebelião. Eles são citados como responsáveis por coordenar a violência, impor exigências à administração e influenciar outros presos durante a crise. Os presos exibiam objetos cortantes improvisados, como pedaços de vergalhões, metal, plásticos duros e fragmentos de espelho quebrado, com ameaças de morte e prazos para que as visitantes fossem admitidas. Consta no documento que detentos foram amarrados e mantidos sob extrema violência física, sendo golpeados com socos, chutes e objetos cortantes. Após o assassinato de dois detentos, os outros presos mutilaram os corpos e chegaram a colocar fogo em uma das vítimas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Identificação das vítimas

Um dos mortos foi Gustavo Santos Lima Lourenço, de 24 anos. Preso em agosto de 2025 com 1 kg de cocaína na Rodovia Dom Pedro I, em Campinas, estava na P1 de Potim desde setembro passado. Condenado por tráfico de drogas em fevereiro, cumpria pena de 5 anos e 10 meses em regime fechado. O segundo detento morto é Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos, que cumpria pena por roubos, estelionato e furto qualificado, totalizando 42 anos e 11 meses de prisão em regime fechado.

Reféns e negociações

Durante o motim, 14 mulheres e uma criança que estavam no local durante o período de visita tiveram a saída impedida dentro do pavilhão. O grupo permaneceu no interior da unidade até o avanço das negociações, sendo liberado somente na manhã de domingo (21), quando a situação foi controlada. As negociações foram conduzidas pela Polícia Penal com apoio do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) e da Polícia Militar. A crise terminou por volta das 6h de domingo, quando os detentos envolvidos se renderam e o controle da unidade foi restabelecido.

Medidas posteriores

Após o encerramento da ocorrência, a Penitenciária I de Potim passou por uma revista geral, e as visitas foram suspensas por questões de segurança. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que instaurou procedimento para apurar o caso. O episódio segue sob investigação da Polícia Civil. O g1 tenta localizar a defesa dos presos apontados como suspeitos de terem comandado a rebelião.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar