A Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira (23), o quarto suspeito de envolvimento na morte do empresário Marcelo Magalhães de Almeida. Segundo o 1º Distrito Policial de Carapicuíba, vinculado à Seccional de Carapicuíba (Demacro), Lucas Jaimes Oliveira Moura da Silva, conhecido como 'Capivara', foi localizado por volta das 17h e teve a prisão temporária decretada. De acordo com a polícia, o mandado havia sido expedido anteriormente pelo Poder Judiciário local no âmbito do inquérito que apura o caso. Após a prisão, o suspeito será interrogado.
Corpo encontrado no Rio Cotia
O corpo de Marcelo foi encontrado no Rio Cotia, em Carapicuíba, nesta quinta. Ele estava desaparecido desde 16 de julho. Ainda segundo a investigação, os demais envolvidos que foram presos temporariamente – Lucas Soares de Lima, Paulo Sérgio Soares de Almeida e Júlio César Moura Batista – apontaram aos investigadores o local em que o corpo de Marcelo foi jogado. Conforme a Polícia Civil, o ponto indicado corresponde ao local em que o empresário foi assassinado e à entrada da trilha onde o corpo foi ocultado.
Inscrição ameaçadora no local do crime
A investigação também apontou que, na pedra onde Marcelo foi morto, há a inscrição 'polícia aqui morre 1533', descrita pela corporação como uma referência à presença de 'Estado paralelo e organização ultraviolenta'.
Emboscada planejada por amigo
Segundo a investigação, Marcelo foi vítima de sequestro e homicídio em uma emboscada planejada por Lucas Soares de Lima, conhecido como 'Quadrado', que era amigo do empresário e é apontado pela polícia como mentor do crime. Lucas teria atraído Marcelo para o local onde ele foi sequestrado, com a participação do irmão, Paulo Sérgio Soares de Almeida, de Júlio César Moura Batista e de Lucas Jaimes Oliveira Moura da Silva. Eles estão presos e devem responder por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Antes de matar o empresário, o grupo teria transferido R$ 8 mil das contas bancárias dele.
Imagens e extorsão
Imagens do circuito interno do prédio onde Marcelo morava mostram o empresário saindo sozinho de casa na noite de 16 de julho. Ele aparece no elevador e, depois, entrando em seu carro blindado na garagem. De acordo com os investigadores, Marcelo seguiu para um bar, onde encontrou Lucas, e não foi mais visto. Posteriormente, o carro da vítima foi abandonado por um homem, que deixou o local correndo. A polícia também teve acesso a imagens feitas durante o período em que Marcelo esteve em cativeiro. Em um dos vídeos, gravado pelos próprios suspeitos, o empresário aparece amordaçado dentro de um quarto. Segundo a investigação, Lucas vinha extorquindo dinheiro de Marcelo por saber de relacionamentos amorosos mantidos pelo empresário. Ele teria exigido também presentes caros e até um apartamento para não revelar essas informações.
Mãe denuncia os próprios filhos
Segundo o inquérito, Zemira Santos Soares procurou a Polícia Civil em 17 de julho após desconfiar do envolvimento dos filhos, Lucas Soares de Lima e Paulo Sérgio Soares Almeida, em um crime grave. Naquele dia, Paulo foi visitar a filha, que estava sob os cuidados da avó, e começou a chorar. Ele teria dito que Lucas havia 'arrumado um problemão' e queria 'arrastar todo mundo'. Lucas também teria ido ao apartamento da mãe, ameaçado matar os familiares e afirmado que, se ela lhe tivesse emprestado R$ 700, não seria necessário 'gastar com caixão'. Sem saber exatamente o que os filhos haviam feito, Zemira procurou uma das noras. Ela então foi informada de que Lucas e Paulo teriam roubado, sequestrado e matado uma pessoa importante e que o caso estava sendo noticiado pelas emissoras de televisão. Diante da informação e das ameaças, a mãe foi até a delegacia e denunciou os próprios filhos, dando à polícia os primeiros elementos que ajudaram a esclarecer o sequestro e a morte de Marcelo Magalhães.



