A Polícia Civil de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, concluiu e apresentou ao Ministério Público nesta segunda-feira (20) dois inquéritos sobre uma quadrilha especializada em roubo de relógios e joias de luxo. A investigação, que teve acesso exclusivo da TV TEM, revela que os criminosos monitoravam vítimas por redes sociais e agiam com logística dividida entre motos e carros. Relógios importados de até R$ 100 mil foram levados.
Estatísticas globais e contexto local
Dados da The Watcher Register, maior instituição de rastreamento de relógios, indicam que mais de um relógio de alto padrão é roubado ou extraviado por hora no mundo. Em Rio Preto, essa realidade se refletiu em uma onda de assaltos nos últimos meses, com alvos sendo médicos e empresários de bairros nobres.
Modus operandi da quadrilha
Segundo o delegado Jonathan Marcondes, os criminosos não escolhiam vítimas ao acaso. Eles usavam redes sociais e perfis profissionais na internet para mapear rotinas, endereços e acessórios. "Eles investigavam a vida das vítimas e sua rotina. Precisavam ficar em volta do local do crime, circulando e vigiando sem chamar atenção", explicou.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou: "Já fazia um tempo que eles estavam monitorando o espaço e o Instagram. A exposição da gente é profissional e o Instagram é aberto. Então, com certeza eles já sabiam que ali tinha um relógio".
A quadrilha usava motos para abordagens rápidas e carros para cobertura nas proximidades, evitando suspeitas.
Ataques em série e ameaças de morte
Em um caso, uma mulher foi abordada na porta da empresa por volta das 11h. Armado, o criminoso exigiu aliança e relógio importado, causando prejuízo de R$ 40 mil. A vítima contou: "Mantive a calma, mas tirei o relógio e entreguei. Ele pediu a aliança. Como tenho valor afetivo, pedi para não levar. Ele pegou na arma e disse: 'Eu vou te queimar se você não me der a aliança'. Eu dei na hora".
Em 4 de fevereiro, câmeras de segurança flagraram um motociclista que esperou a abertura do portão de um estacionamento para invadir o local. Em menos de cinco minutos, levou um relógio de R$ 100 mil, uma aliança de R$ 5 mil e pertences pessoais. No mesmo dia, um administrador de empresas foi abordado ao caminhar para o carro; o assaltante disse: "Ou, bacana, sou ladrão de relógio" e fugiu com um acessório de R$ 40 mil.
Suspeitos presos e foragidos
A polícia apreendeu três veículos, incluindo a moto usada nos assaltos, que era roubada e tinha placa adulterada. A quadrilha é formada por criminosos de Rio Preto e comparsas da região metropolitana de São Paulo. Joaquim Ferreira da Silva Júnior, de Guapiaçu, foi preso em fevereiro. Nivaldo Henrique de Araújo Júnior, de Taboão da Serra, foi preso em março. Danilo Freire Oliveira e Bruno Balbino, também de Taboão da Serra, permanecem foragidos.
Próximos passos
Nenhum dos itens roubados foi recuperado. A polícia agora investiga os receptadores que financiam o crime e compram as mercadorias. "O destino das joias e relógios continua em investigação", informou a Polícia Civil.



