Justiça converte para preventiva prisão de casal acusado de matar bebê
Prisão de casal acusado de matar bebê é convertida em preventiva

A Justiça de Sorocaba converteu em preventiva a prisão do casal acusado de matar o bebê Miguel Franco Silva, de um ano e dois meses. A decisão foi tomada após a audiência de custódia, realizada nesta quarta-feira (3). A mãe, Gabrielly Franco Garcia, e o padrasto, Rafael Luis Alves Júnior, ambos de 21 anos, estavam presos em flagrante desde segunda-feira (1º), quando a criança deu entrada no hospital já sem vida.

Denúncia de negligência desde fevereiro

Um documento obtido com exclusividade pela TV TEM revela que o Conselho Tutelar de Sorocaba já havia sido acionado em fevereiro de 2026 para acompanhar a família. Na ocasião, o menino foi levado pela mãe a uma unidade de saúde da Zona Oeste com inchaço, dor e secreção na região íntima, além de assaduras, unhas longas e sujas e dificuldades de higiene e alimentação. O relatório da assistência social aponta que Gabrielly chegou ao local sem fraldas e sem roupas para troca do filho.

O caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar para avaliação e adoção de medidas de proteção. Em nota, o órgão informou que recebeu a notificação da rede de saúde, que apontava indícios de negligência e fragilidade nos cuidados básicos. Segundo o Conselho, a família não tinha histórico de atendimentos anteriores. Após a notificação, os responsáveis foram chamados, orientados e advertidos sobre a necessidade de garantir os cuidados adequados ao menino. No entanto, a nota não detalha quais medidas foram adotadas após o primeiro atendimento.

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A morte do bebê

Miguel morreu na segunda-feira (1º), em Sorocaba. O resgate foi acionado por volta das 22h, inicialmente informado de que a criança havia se engasgado. Ele foi levado para a Unidade Pré-Hospitalar da Zona Norte, onde os profissionais tentaram reanimá-lo, mas confirmaram a morte em seguida. Segundo avaliação preliminar, a criança estava morta há cerca de uma hora antes de o socorro ser acionado.

Uma das médicas envolvidas no atendimento passou mal ao ver a gravidade dos ferimentos e precisou ser medicada. O boletim de ocorrência registra lesões na cabeça, marcas de mordidas nos lábios, ferimentos no nariz, nas orelhas e nos dedos das mãos e dos pés. A equipe de enfermagem encontrou ainda uma lesão grave na região anal e um afundamento craniano.

Gabrielly apresentava lesões nas mãos compatíveis com as agressões no filho, e Rafael tinha manchas de sangue na blusa. Uma perícia apontou manchas de sangue em diversos cômodos da casa do casal. Familiares informaram à polícia que já haviam percebido lesões na criança e tinham preocupações com seu desenvolvimento.

O casal foi preso e autuado por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Em depoimento, eles negaram as agressões e afirmaram que os machucados foram causados pela própria criança. O corpo de Miguel foi sepultado na terça-feira (2) no Cemitério Memorial Park, em Sorocaba.

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