Dois suspeitos de envolvimento em uma série de roubos na região da Avenida Litorânea, em São Luís, foram presos nesta quinta-feira (9) durante operação da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA). Entre as vítimas está um professor universitário que usou as redes sociais para relatar os momentos de pavor vividos enquanto corria na avenida.
Crimes ocorreram em junho
Segundo a Polícia Civil, os crimes ocorreram na madrugada de 19 de junho deste ano, quando um grupo de suspeitos, utilizando motocicletas, cometeu dois roubos em sequência na região. Entre os casos investigados estão o assalto ao professor universitário e o roubo de uma motocicleta Honda/XRE Sahara, na região do Calhau. As investigações indicam que cerca de seis pessoas agiam em conjunto, utilizando três ou quatro motocicletas.
Investigação por imagens e denúncias
A Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC) iniciou as investigações a partir da análise de imagens de câmeras de monitoramento e das características repassadas pelas vítimas sobre os suspeitos, as motocicletas e a dinâmica dos crimes. Durante a apuração, surgiram indícios de que os investigados circulavam em motocicletas tentando se passar por entregadores de aplicativos de delivery, estratégia que, segundo a polícia, facilitava os deslocamentos e reduzia suspeitas antes e depois dos crimes.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil identificou dois suspeitos, apontados como possíveis participantes dos roubos. As medidas cautelares foram cumpridas nesta quinta-feira (9) nos bairros Vila Palmeira e Coroado. Durante as buscas, foram apreendidas duas motocicletas, dois capacetes e aparelhos celulares, que serão submetidos à perícia. Os suspeitos foram presos e encaminhados à unidade policial, onde permanecem à disposição da Justiça. As investigações continuam para identificar e localizar os demais integrantes do grupo criminoso, recuperar os bens roubados e reunir novas provas.
Relato do professor
O professor de Física da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Welberth Santos Ferreira, usou as redes sociais para relatar os momentos de pavor vividos na manhã de 19 de junho, enquanto praticava corrida na Avenida Litorânea. Segundo ele, foi abordado por criminosos armados em uma área com pouca iluminação, nas proximidades de um parquinho. Três motos com cinco ocupantes participaram da ação, sendo que pelo menos três estavam armados.
Welberth contou que os assaltantes surgiram de forma repentina e exigiram o celular. "Surgiram do nada três motoqueiros, me apontaram a arma e pediram o celular. Eu não corro com o celular", relatou. Como não estava com o aparelho, os criminosos o revistaram. Ao perceberem a chave do carro, roubaram a chave e também a aliança que usava. "Quando eu levantei a mão, eles viram a chave do carro, roubaram a chave do meu carro, roubaram a minha aliança", disse. O professor afirmou que a aliança estava apertada no dedo e que, durante a ação, recebeu um soco no rosto tão forte que o deixou desacordado por alguns segundos. "Como a aliança estava apertada, levei um soco tão forte que fui ao chão", contou. "Me desferiram um soco que eu apaguei aqui no meio da Litorânea", completou.
Após recuperar a consciência, Welberth viu os assaltantes fugindo em direção a um shopping da região. Recebeu ajuda de um corredor identificado apenas como Anderson. "Eu queria agradecer do fundo do coração ao Anderson, que eu nem conhecia. Ele foi passando, me prestou todo o socorro, me levou em casa para pegar a chave reserva do meu carro", afirmou. Uma viatura da Polícia Rodoviária passou pelo local e iniciou buscas, mas os suspeitos não foram localizados. "Os policiais surgiram em seguida, bateram em deslocamento e não pegaram eles", relatou.
O professor registrou boletim de ocorrência e afirmou sentir fortes dores no olho em razão da agressão. "Tô indo agora fazer boletim de ocorrência. Tô sentindo muita dor no olho", disse. Abalado emocionalmente, Welberth pensa em interromper a rotina de treinos e competições esportivas. "Sinceramente, agora penso em parar as competições e treinos. Esse é o sentimento", desabafou. Ele lembrou que já havia parado de nadar no mar após a morte de um triatleta na região do Espigão Costeiro e deixou de pedalar nas ruas, optando apenas por bicicleta estacionária. "Foi o ano que eu estava reencontrando meu pace. Consegui voltar a ganhar algumas provas, mas agora vou parar tudo. Não sei como vou fazer daqui para frente", declarou.
Corredoras também foram vítimas
Horas antes do ataque ao professor, duas corredoras foram abordadas por criminosos armados enquanto treinavam próximo ao centro de treinamento, na Avenida Litorânea. O treinador Dilson Pará relatou que, por volta das 4h20, três motos com seis homens vestidos de preto se aproximaram das atletas. "No primeiro momento, elas acharam que fossem policiais. Mas quando as motos subiram na calçada, perceberam que não era", afirmou. Assustadas, as duas corredoras correram em direções diferentes, mas foram alcançadas. "Os homens foram atrás delas, abordaram as duas e pediram os celulares. Como elas não estavam com nada, os homens as revistaram para conferir e depois foram embora", contou. Ninguém ficou ferido, mas uma delas chorava muito. "Fiquei com elas por um bom tempo tentando acalmá-las. Graças a Deus, ninguém se feriu", disse Dilson.
Após os episódios, atletas que utilizam a Avenida Litorânea para corridas, caminhadas e ciclismo voltaram a demonstrar preocupação com a segurança, especialmente durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã. "Fica o alerta para todos nós que treinamos tão cedo: todo cuidado é pouco", alertou Dilson Pará.



