Quatro homens foram presos na tarde deste domingo (19) após a Polícia Militar encontrar pacientes em situação de maus-tratos em uma clínica de reabilitação em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a corporação, os internos relataram agressões físicas e psicológicas, privação de água e alimentos, além de cárcere privado e tortura.
Flagrante após desentendimento entre administradores
A ocorrência teve início depois que um dos responsáveis pela administração da clínica procurou uma base da PM para relatar um desentendimento com o irmão, com quem dividia a gestão do estabelecimento. Ele afirmou que o familiar havia ficado com as chaves de um carro usado pela instituição e pediu ajuda para recuperar o veículo. Ao acompanhar o solicitante até a clínica, localizada no bairro Residencial Ouro Verde, os militares foram recebidos por um interno que se apresentou como monitor do local. Durante a inspeção, no entanto, os policiais afirmam ter encontrado um cenário de degradação e indícios de diversos crimes.
Crimes identificados pela PM
Segundo o boletim de ocorrência, pacientes disseram que eram submetidos a uma rotina de agressões físicas e psicológicas, além de viverem sob restrição de alimentação e água, em condições precárias de higiene. Uma das vítimas contou que era dopada diariamente e privada de comida e água. Outro paciente apresentava um trauma em uma das pernas. Um dos internos afirmou que os pacientes eram tratados "como cachorro" e proibidos de manter contato telefônico com familiares.
Ainda segundo a PM, uma vítima relatou estar internada contra a própria vontade havia cerca de três anos. Outro paciente disse que os responsáveis pela clínica deixavam frequentemente o local para consumir drogas e retornavam acompanhados de mulheres para fazer uso de entorpecentes. Alguns internos precisaram ser socorridos por equipes de resgate e levados para uma policlínica da região.
Paciente com mandado de prisão e omissão do Creas
Durante a ocorrência, os militares também cumpriram um mandado de prisão que havia contra um dos pacientes. A polícia informou que tentou acionar o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Igarapé, mas, segundo o registro policial, o órgão informou que já tinha conhecimento da situação da clínica e não enviou equipe ao local. Durante a vistoria, os militares relataram ter encontrado dormitórios com sujeira acumulada, falta de higiene, desorganização e forte odor.
Prisões e possíveis crimes
Os quatro suspeitos, de 26, 42, 42 e 50 anos, foram presos e encaminhados à Delegacia da Polícia Civil. Eles poderão responder, entre outros crimes, por cárcere privado, tortura, maus-tratos e apropriação indébita. O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e com a Prefeitura de Igarapé e aguarda retorno.



