A Polícia Civil prendeu um jovem de 19 anos suspeito de manter uma adolescente de 13 anos em um regime de cativeiro virtual. O crime ocorria por meio de plataformas digitais, onde o suspeito ameaçava, constrangia e praticava violência psicológica, física e sexual contra a vítima, residente em Rio Verde, na região sudoeste de Goiás. A prisão aconteceu na terça-feira (2), no estado do Paraná, durante a Operação Rastro Virtual. O nome do suspeito não foi divulgado, e a defesa não foi localizada até a última atualização desta reportagem.
Como o crime era cometido
De acordo com o delegado Matheus Dutra, do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) de Rio Verde, o investigado abordou a adolescente por meio do chamado golpe da comparação. Ele enviava imagens íntimas falsas, afirmando que eram da vítima, e ameaçava divulgar o material caso ela não enviasse uma foto verdadeira. Após obter as imagens reais, ele intensificava as ameaças para manter o controle sobre a jovem, sob o pretexto de evitar que o conteúdo fosse exposto a familiares e terceiros.
O delegado explicou que o cativeiro virtual se caracteriza quando a vítima não tem sua liberdade física restringida, mas, de forma remota, por meio de chantagens e ameaças de divulgação, fica sob o poder do criminoso, sendo obrigada a cumprir todas as exigências.
Investigação e descoberta
O caso veio à tona quando os familiares da adolescente perceberam que ela estava sendo vítima de ameaças pela internet. As investigações revelaram que por trás dos perfis anônimos estava um homem residente no Paraná. A polícia descobriu que o suspeito obrigava a jovem a praticar atos sexuais em seu próprio corpo, além de submetê-la a comportamentos degradantes e à automutilação.
O delegado destacou que o investigado exigia que a vítima bebesse água do vaso sanitário, introduzisse objetos em seu órgão genital e realizasse pequenas lesões. Além disso, obrigou a adolescente a instalar um aplicativo de monitoramento, estabelecendo um domínio ainda maior sobre ela. O suspeito também exigia pagamento em criptomoedas, que não foram efetivados, para não divulgar o material para a família.
Prisão e apreensões
A prisão ocorreu em uma casa no bairro Jardim Brasília, em Paiçandu, no noroeste do Paraná. No momento da abordagem, o suspeito usava tornozeleira eletrônica. Os policiais apreenderam um celular e um notebook, que passarão por perícia para auxiliar nas investigações e verificar se há outras vítimas.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, o suspeito já havia sido preso no ano passado durante uma operação contra o armazenamento de material de abuso sexual infantojuvenil. Ele deve responder pelos crimes de estupro virtual, tortura, extorsão, induzimento a automutilação, invasão de dispositivo informático e armazenamento de conteúdo sexual envolvendo criança ou adolescente.



