Duas mulheres foram presas nesta quarta-feira, suspeitas de venderem medicamento abortivo oferecido num grupo de WhatsApp. Priscilla Fernanda Monteiro de Souza, de 43 anos, e Nayara Pereira Silva, de 32 anos, davam orientações por áudio sobre como o remédio deveria ser usado e ainda cobravam adicional noturno para fazer o acompanhamento de procedimentos, segundo a delegada Mônica Areal, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu. A investigação que levou às prisões foi feita pela especializada em conjunto com o Ministério Público estadual.
Investigação começou após denúncia de vítima
A apuração sobre a atuação das suspeitas começou após uma mulher denunciá-las. A vítima contou que tinha interesse em comprar o abortivo e se sentiu lesada. A partir daí, os investigadores descobriram que as mulheres eram orientadas a tomar quantidades altas do medicamento, sem qualquer respaldo médico para isso.
Nesta quarta, agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão e recolheram medicamentos, celulares e máquina de cartão. As duas mulheres foram presas em flagrante. Priscilla foi localizada em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, e Nayara, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. As duas não resistiram à prisão.
Suspeitas confessaram motivação financeira
De acordo com Mônica Areal, as suspeitas prestaram depoimento e revelaram que agiam apenas visando a ganhar dinheiro. A polícia agora apura o envolvimento de acusados de outros estados no esquema criminoso. Após as formalidades legais na Deam Nova Iguaçu, Priscilla e Nayara serão encaminhadas para a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).
Grupo 'Mulheres Unidas' no WhatsApp
Para oferecer os abortivos, as suspeitas criaram o grupo de WhatsApp chamado "Mulheres Unidas". Nele, perguntavam com quantas semanas de gestação a pessoa interessada estava. O preço da medicação mudava conforme o tempo de gravidez — ia de R$ 570 a R$ 2.120.
"Fica tranquila porque pela idade gestacional que você está vai demorar um pouco. É um procedimento que demora. Mas não fica ansiosa não. É isso aí. Se conseguir cochilar, dormir um pouquinho, é bom. Se a dor aumentar, você sentindo algum sintoma novo, pode me falar. É isso", diz uma das suspeitas num áudio.
Em outro áudio, uma das mulheres fala sobre a cobrança do adicional noturno: "Eu faço o procedimento só a partir de meio-dia. A menina entra de jejum a partir de oito horas da noite e faz o procedimento no outro dia meio-dia. Nesse horário, óbvio que eu estou de serviço e acompanho direitinho. Claro que não vai pagar. Mas como você está começando tarde, vai entrar a madrugada. Então, entendeu? Se você quiser um acompanhamento direitinho e tal, eu cobro adicional noturno. Mas se não precisar, te passo o procedimento e você faz".



