A Polícia Civil de Minas Gerais investiga a morte de dois detentos em unidades prisionais da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os casos ocorreram nesta segunda-feira (3) e envolvem presídios localizados em Belo Horizonte e em São Joaquim de Bicas. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirmou as ocorrências e informou que as circunstâncias estão sendo apuradas.
Primeiro caso: detento encontrado morto no Ceresp Gameleira
O primeiro caso aconteceu no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte. Daniel Carvalho Costa, de 33 anos, foi encontrado por policiais penais caído no chão da cela, já sem sinais vitais. Segundo a Sejusp, não havia sinais de violência física no corpo do detento.
Daniel havia sido admitido na unidade em 29 de julho. Ele possuía outras quatro passagens pelo sistema prisional desde janeiro de 2015. A direção do presídio instaurou um procedimento interno para apurar as causas e circunstâncias do ocorrido, que também serão investigadas pela Polícia Civil.
Segundo caso: detento passa mal e morre na Penitenciária Professor Jason Soares Albergaria
O segundo caso ocorreu na Penitenciária Professor Jason Soares Albergaria, em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Daniel Rocha de Souza, de 24 anos, sentiu-se mal na segunda-feira (3) e foi prontamente retirado da cela pela equipe de saúde da unidade prisional.
Apesar de todos os procedimentos médicos realizados, o detento não resistiu e veio a óbito. Daniel havia sido admitido na penitenciária em maio de 2024 e possuía, além desta, outras dez passagens pelo sistema prisional desde 2020. A Sejusp não detalhou as causas da morte, que também estão sob investigação.
Investigações e procedimentos internos
Em nota, a Sejusp informou que ambos os casos estão sendo apurados por meio de procedimentos internos instaurados pelas direções das unidades prisionais. A Polícia Civil foi acionada para investigar as causas das mortes, que podem incluir fatores naturais ou outras circunstâncias ainda não reveladas.
As autoridades não descartam a possibilidade de que as mortes estejam relacionadas a problemas de saúde, já que não foram encontrados sinais de violência nos corpos. No entanto, somente os laudos periciais poderão confirmar as causas exatas.
Contexto do sistema prisional mineiro
Os dois casos reforçam a preocupação com as condições do sistema prisional de Minas Gerais, que enfrenta superlotação e déficit de assistência médica. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o estado possui mais de 70 mil presos, muitos em unidades com capacidade reduzida.
A Sejusp, por sua vez, destacou que os procedimentos de saúde foram seguidos e que as equipes prestaram atendimento imediato. A pasta também afirmou que está colaborando com as investigações para esclarecer os fatos.
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil não havia divulgado novas informações sobre as investigações. Os corpos dos detentos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) para necropsia, que deverá apontar as causas das mortes.
O g1 Minas tenta contato com a assessoria da Polícia Civil para obter mais detalhes sobre o andamento dos inquéritos.



