PMs condenados por tortura e 'roleta-russa' contra adolescente em SP
PMs condenados por tortura e 'roleta-russa' em SP

Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo revelaram um episódio de violência extrema durante uma operação na Favela da Caixa D'Água, na capital paulista. Os vídeos, exibidos pelo programa Fantástico, mostram policiais militares simulando uma 'roleta-russa' contra um adolescente, além de agressões e entradas em residências sem autorização judicial.

Condenação pelo Tribunal de Justiça Militar

Dois policiais militares foram condenados pelo Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM-SP) pelos crimes de tortura e abuso de autoridade. Amauri dos Santos e Sandro Nascimento foram considerados culpados pelas ações violentas registradas pelas próprias câmeras corporais que utilizavam durante a operação.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os PMs submeteram o adolescente a sofrimento físico e mental, simulando um disparo de arma de fogo contra sua cabeça. A prática, conhecida como 'roleta-russa', configura tortura, de acordo com a legislação brasileira.

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Investigação revela abusos sistemáticos

Além da simulação do disparo, as imagens mostram agressões físicas contra os moradores e invasões de domicílio sem mandado judicial. A investigação também apontou o desaparecimento de materiais apreendidos durante a operação, o que levanta suspeitas de desvio de provas.

O caso gerou indignação entre organizações de direitos humanos, que cobram maior rigor na punição de policiais envolvidos em abusos. A Defensoria Pública de São Paulo afirmou que acompanhará o caso para garantir que as vítimas recebam reparação.

Reação da Polícia Militar e medidas de transparência

A Polícia Militar de São Paulo informou, por meio de nota, que 'repudia qualquer conduta ilegal' e que as câmeras corporais são uma ferramenta de transparência. A corporação ampliou o uso desses equipamentos após uma série de denúncias de abuso policial.

Especialistas apontam que, embora as câmeras ajudem a coibir abusos, ainda há resistência de parte da corporação. 'A tecnologia é importante, mas precisa ser acompanhada de punições efetivas', afirmou o advogado criminalista João Pedro Silva, em entrevista ao portal de notícias.

Impacto e próximos passos

A condenação dos dois PMs é considerada um marco na luta contra a violência policial no estado de São Paulo. No entanto, ativistas alertam que casos semelhantes continuam ocorrendo e que a impunidade ainda é alta. O TJM-SP determinou que os policiais cumpram pena em regime fechado, mas cabe recurso.

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