Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira (20), impulsionados por sinais de possível alívio nas tensões geopolíticas, mas o mercado permanece em estado de alerta devido ao risco de uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. O barril do Brent, referência internacional, fechou em queda de 1,8%, cotado a US$ 78,90, enquanto o WTI americano recuou 2,1%, para US$ 74,85.
Alívio temporário no cenário geopolítico
O movimento de baixa foi atribuído a declarações de autoridades iranianas sugerindo abertura para negociações indiretas com os EUA, mediadas por países do Golfo. Segundo fontes diplomáticas, o Irã sinalizou que não busca uma guerra aberta, o que reduziu temporariamente o prêmio de risco embutido nos preços. No entanto, analistas alertam que a trégua é frágil.
“O mercado está precificando um cenário de curto prazo com menor probabilidade de interrupção no Estreito de Ormuz, mas a situação pode mudar rapidamente”, afirmou John Kilduff, sócio da Again Capital. “Qualquer incidente militar pode levar o Brent de volta aos US$ 85.”
Impacto na oferta global e estoques
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, continua sendo o principal ponto de atenção. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que uma interrupção total no fluxo poderia reduzir a oferta global em até 5 milhões de barris por dia, elevando os preços em mais de 30%.
Paralelamente, os estoques de petróleo nos Estados Unidos caíram pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Departamento de Energia, o que sustenta a demanda. A produção da Opep+ também permanece abaixo das cotas, com a Arábia Saudita mantendo cortes voluntários de 1 milhão de barris por dia até setembro.
Perspectivas para investidores
Para o curto prazo, a volatilidade deve persistir. O mercado acompanha de perto as negociações indiretas entre EUA e Irã, além das decisões do Federal Reserve sobre juros, que podem afetar o dólar e, consequentemente, o preço do petróleo. Caso o Fed sinalize cortes de juros, o petróleo pode encontrar suporte adicional.
Segundo Eduardo Galdi, analista da XP Investimentos, “a recomendação é cautela: o cenário geopolítico ainda é imprevisível, e qualquer escalada pode gerar picos de preço. Investidores devem considerar posições defensivas, com exposição a ativos ligados a commodities.”
O mercado de opções mostra que a probabilidade de um movimento de alta de 10% no Brent nos próximos 30 dias é de 35%, enquanto a chance de uma queda similar é de 20%, refletindo o viés altista devido aos riscos geopolíticos.



