Prisão de PM réu por morte de estudante de medicina em SP
PM réu por morte de estudante é preso em SP

O soldado Bruno Carvalho do Prado, um dos réus pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, foi preso nesta segunda-feira (3) pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo. A corporação informou, em nota, que o agente foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital, para cumprimento de determinação judicial. Bruno responde por homicídio qualificado, juntamente com o também policial militar Guilherme Augusto Macedo, autor do disparo que matou o estudante em outubro de 2024.

Decisão judicial e fundamentos

A prisão preventiva foi decretada na última sexta-feira (31) pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri de São Paulo. Na decisão, a magistrada considerou informações sobre uma investigação que apura supostos crimes de ameaça e lesão corporal praticados por Bruno contra a própria esposa. Para a juíza, a notícia de novas práticas criminosas, somada à gravidade da acusação pela morte de Marco Aurélio, indicaria risco à ordem pública e evidenciaria a periculosidade social do policial.

A decisão atendeu a um pedido formulado pela assistência de acusação da família de Marco Aurélio e contou com manifestação favorável do Ministério Público. A ordem judicial também determinou a apreensão de armas de fogo que estivessem em posse do PM.

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Reação da defesa

A defesa de Bruno Carvalho do Prado criticou a prisão e anunciou que apresentará pedido de habeas corpus para libertar o policial. Em nota, os advogados declararam que o pedido "não representa justiça, apenas tentativa de vingança", sustentando que "a vida pessoal do acusado não se confunde com a ocorrência, que foi em serviço policial militar". A defesa também afirmou que pretende investigar como os representantes da família da vítima tiveram acesso aos documentos da investigação de violência doméstica, já que esse tipo de procedimento tramita sob segredo de Justiça.

Denúncias de violência doméstica

O pedido de prisão preventiva foi protocolado pelos advogados da família de Marco Aurélio na semana passada. Eles alegaram que Bruno teria descumprido condições impostas pela Justiça para responder ao processo em liberdade e que as medidas cautelares anteriormente adotadas seriam insuficientes. Segundo a petição, a esposa do policial relatou à polícia ameaças de morte recorrentes ao longo dos últimos dois anos. Em boletim de ocorrência reproduzido no pedido, ela afirmou que o marido dizia que iria matá-la e "colocá-la no caixão e mandar para o Ceará".

A mulher também declarou que, após pedir a separação, foi segurada pelo braço durante uma discussão ocorrida em abril deste ano, sofreu hematomas e deixou a residência por temer pela própria segurança. Conforme o relato, ela acionou a Polícia Militar depois de ver Bruno se dirigindo ao quarto onde costumava guardar sua arma.

Relembre o caso

Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem policial na madrugada de 20 de outubro de 2024, na Rua Cubatão, na Vila Mariana. De acordo com a investigação, o estudante deu um tapa no retrovisor de uma viatura e correu para um hotel onde estava hospedado com uma amiga. Os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado desceram do veículo e o seguiram até o interior do estabelecimento.

Imagens de câmeras de segurança mostram Guilherme apontando a arma para o estudante enquanto tenta segurá-lo. Em seguida, Bruno chuta Marco Aurélio. O jovem reage segurando a perna do policial, que cai. Na sequência, Guilherme efetua o disparo que atingiu o abdômen da vítima. Marco Aurélio chegou a ser socorrido ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos.

Desde então, a família do estudante tenta obter a prisão preventiva dos policiais envolvidos no caso. Com a nova decisão judicial, Bruno passou a cumprir prisão preventiva no Presídio Militar Romão Gomes, enquanto aguarda o andamento do processo e futuro julgamento pelo Tribunal do Júri. Guilherme Augusto Macedo continua em liberdade. Eles respondem pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e com recurso que dificulta a defesa da vítima.

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