A Justiça Federal brasileira revelou que investigados por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), sancionados pelos Estados Unidos, utilizaram o sistema de pagamentos Zelle — equivalente ao Pix nos EUA — para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. A informação consta em documento que embasou a Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal (PF).
Operação Exchange e movimentação financeira
Segundo a PF, o esquema movimentou mais de R$ 10 bilhões, envolvendo transferências internacionais pelo Zelle, movimentação de criptoativos e outras transações financeiras ilícitas. A operação resultou na autorização de prisões e apreensões contra os investigados.
O documento judicial descreve que os brasileiros sancionados pelos EUA usaram o Zelle para realizar pagamentos e transferências de forma rápida e com menor rastreabilidade, similar ao que ocorre com o Pix no Brasil, mas em território norte-americano.
Envolvimento do PCC e sanções dos EUA
Os investigados são acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro a serviço do PCC, uma das maiores facções criminosas do Brasil. Os Estados Unidos já haviam imposto sanções a alguns dos envolvidos, bloqueando seus ativos e proibindo transações com cidadãos e empresas americanas.
De acordo com a PF, as movimentações financeiras ocorreram entre contas nos EUA e no Brasil, utilizando o Zelle como principal ferramenta para ocultar a origem ilícita dos recursos. Além disso, criptoativos foram usados para dificultar o rastreamento.
Impacto e desdobramentos
A Operação Exchange é considerada um marco no combate à lavagem de dinheiro transnacional, demonstrando a cooperação entre Brasil e Estados Unidos. A Justiça autorizou medidas como prisão preventiva, busca e apreensão e sequestro de bens.
Até o momento, alguns dos alvos permanecem foragidos, incluindo Shimada, um dos principais acusados de lavar dinheiro para o PCC, que está na lista de sancionados dos EUA.



