A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 4, uma nova fase da Operação Sem Desconto, com o objetivo de apurar a lavagem de dinheiro relacionada ao esquema de fraudes que lesou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em R$ 6 bilhões, prejudicando aposentados e pensionistas em todo o país. Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas cidades do Distrito Federal e do Maranhão.
Investigação aponta movimentações suspeitas
De acordo com a PF, as investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie. O objetivo, segundo os investigadores, era ocultar a origem e a destinação dos recursos obtidos com as fraudes.
Em nota, a Polícia Federal informou que as diligências desta terça-feira são um desdobramento da Operação Sem Desconto, que já havia cumprido fases anteriores para desarticular o esquema criminoso. A nova etapa concentra-se especificamente na lavagem de dinheiro, ou seja, na forma como os valores ilícitos foram movimentados e incorporados ao patrimônio dos envolvidos.
Esquema de fraudes no INSS
As fraudes no INSS consistiam, segundo as investigações, na concessão irregular de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, mediante a utilização de documentos falsos e a participação de servidores públicos e intermediários. O prejuízo estimado de R$ 6 bilhões representa um dos maiores casos de corrupção já identificados no sistema previdenciário brasileiro.
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços ligados aos investigados, incluindo residências, empresas e escritórios de contabilidade. Durante as diligências, os agentes federais buscam documentos, computadores, celulares e outros materiais que possam comprovar a participação dos envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro.
Atuação do STF e próximos passos
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, autorizou as medidas cautelares após análise dos elementos colhidos nas fases anteriores da operação. A decisão leva em conta a necessidade de aprofundar as investigações e de evitar a destruição de provas relevantes para o esclarecimento dos fatos.
A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados nem detalhes sobre as ordens judiciais, que estão sob sigilo. A expectativa é que, após a análise do material apreendido, novos desdobramentos possam ocorrer, incluindo a possibilidade de indiciamentos e de novas fases da operação.
Até o momento, não há informações sobre prisões nesta fase. A operação segue em andamento, e a PF deve divulgar um balanço oficial ao final das diligências.



