Entre os dias 28 e 31 de julho, a Polícia Federal (PF) destruiu 63.915 pés de maconha na Terra Indígena do Alto Rio Guamá (Tiarg), no nordeste do Pará. A operação, denominada 'Carcará', foi divulgada neste sábado (1º) e integra uma série de ações contínuas da corporação para reprimir o tráfico de drogas na Amazônia. Segundo a PF, as plantações estavam situadas em locais de difícil acesso, o que exigiu o transporte das equipes por helicóptero até os pontos de erradicação.
A dimensão do cultivo
As roças ilegais se espalhavam por áreas que abrangem os municípios de Nova Esperança do Piriá, Cachoeira do Piriá, Garrafão do Norte e Capitão Poço. De acordo com os levantamentos feitos pelos peritos federais, o volume de maconha localizado poderia render mais de 20 toneladas da droga após o processamento. O número representa um impacto significativo na cadeia do tráfico, já que interrompe a produção antes que ela chegasse aos centros urbanos.
A região nordeste do Pará, que abrange a Tiarg, é uma das principais portas de entrada para drogas produzidas em estados vizinhos e também abriga rotas de contrabando que seguem para a Europa e África. A presença de terras indígenas e reservas florestais torna o patrulhamento mais complexo, exigindo planejamento aéreo e informações precisas de inteligência.
Trabalho pericial e logística
Os peritos federais que acompanharam a operação colheram amostras das mudas e verificaram, in loco, a quantidade destruída em cada ponto. Esse trabalho é considerado essencial para a elucidação do esquema e para a mensuração exata do prejuízo imposto ao crime organizado. A PF não informou se houve suspeitos detidos ou qual a estrutura logística utilizada pelos cultivadores, mas a análise dos materiais coletados em campo pode abrir novos desdobramentos nas investigações.
Mais de 50 policiais participaram da ação, número semelhante ao das operações realizadas nos anos anteriores. A necessidade de helicópteros se deve à distância e à ausência de estradas na região, que fica em uma das áreas mais remotas do estado. O deslocamento a pé por terreno de mata fechada seria inviável para o transporte de equipes e equipamentos.
O cenário da Tiarg
A Terra Indígena do Alto Rio Guamá é habitada por populações de diferentes etnias, mas as áreas onde as roças foram localizadas não são ocupadas por indígenas. Segundo a PF, os moradores preferem as extremidades do território, enquanto o interior permanece esvaziado, o que acaba sendo explorado por criminosos. Até o momento, as investigações não indicam qualquer envolvimento das comunidades indígenas no cultivo ilegal.
Essa característica é comum em outras operações do tipo, nas quais organizações criminosas aproveitam a fiscalização limitada em regiões distantes para implantar suas plantações. A presença da PF busca justamente coibir essa prática e proteger tanto o meio ambiente quanto as comunidades tradicionais.
Histórico de erradicação
No ano passado, a mesma operação foi responsável por erradicar cerca de 120 mil pés de maconha plantados em quinze roças na Tiarg. O repetido sucesso das ações demonstra a gravidade do problema e a necessidade de manter o policiamento ostensivo nessas áreas. A PF não detalhou se o número de focos diminuiu neste ano, mas a destruição de quase 64 mil pés indica que o cultivo continua em escala expressiva.
Além do impacto direto na oferta de drogas, a erradicação das plantações evita danos ambientais causados pelo desmatamento e pelo uso de agrotóxicos e fertilizantes na produção ilegal. A recuperação das áreas afetadas, no entanto, não foi detalhada pela corporação, que se limitou a informar os resultados da ação.
Próximos passos
A PF segue analisando as informações colhidas durante a operação 'Carcará' para identificar os responsáveis pela plantação. O material apreendido poderá subsidiar novas fases da investigação e levar à prisão de integrantes da organização criminosa que atua na região. A corporação também deve reforçar o monitoramento da Tiarg, especialmente nos períodos de plantio e colheita da maconha.
Ações como essa fazem parte do planejamento estratégico da PF no combate ao narcotráfico no norte do Brasil, que enfrenta desafios adicionais devido à extensão territorial e à presença de diferentes biomas. A integração entre polícia, perícia e órgãos indígenas é vista como fundamental para garantir que as terras tradicionais não sejam usadas como rota ou local de produção de drogas.



