A final da Série A2 do Campeonato Carioca ganhou um capítulo polêmico na tarde deste domingo. O atacante Matheus Goiano, artilheiro isolado da competição com nove gols, cobrou um pênalti decisivo com a chamada paradinha para o goleiro do Americano, deslocou o arqueiro e balançou as redes. O lance, no entanto, foi anulado pelo árbitro, que aplicou a regra que proíbe a paradinha desde 2010.
O episódio ocorreu no segundo jogo da decisão da Segundona do Rio de Janeiro, com transmissão do ge em Tempo Real. Ao parar no momento da corrida antes de chutar, Matheus Goiano infringiu a Lei 14 das Regras do Jogo, que descreve a cobrança de pênalti. A infração resultou em tiro livre indireto para o Americano e cartão amarelo para o atacante do Resende.
A origem da proibição e a associação com Neymar
A paradinha ficou conhecida no futebol mundial após ser popularizada por Neymar, ainda em sua primeira passagem pelo Santos. O gesto técnico, que consiste em interromper a corrida na preparação do chute para induzir o goleiro a se jogar antes da bola ser rolada, gerou debates e terminou banido oficialmente no dia 1º de junho de 2010, por decisão da FIFA e da IFAB (International Football Association Board).
Na ocasião, os órgãos que regulamentam as regras do futebol entenderam que a paradinha configura uma infração por simular o chute. A punição, desde então, é a marcação de tiro livre indireto na área para a equipe adversária, além de advertência ao cobrador.
As imagens do lance, captadas pela Cariocão TV, mostram Matheus Goiano se aproximando da bola e parando abruptamente, antes de desferir o chute no canto. Apesar do movimento ser intencional e o goleiro do Americano ter caído para o lado oposto, o árbitro não hesitou em anular o gol.
Matheus Goiano e o duelo pelo acesso
O atacante do Resende, autor da cobrança anulada, é também o grande destaque da competição. Com nove gols marcados na Série A2, ele lidera a lista de artilheiros e é a principal referência ofensiva da equipe na luta pelo acesso à elite do futebol carioca. O jogo deste domingo é fundamental para definir quem sobe para a Série A do ano que vem.
No primeiro duelo da decisão, o Resende venceu o Americano por 1 a 0, o que dá à equipe de Resende a vantagem do empate no placar agregado. Durante o primeiro tempo do segundo jogo, o placar seguia 0 a 0 quando Matheus Goiano sofreu o pênalti. Na cobrança, a torcida viu a tentativa de classificação virar um balde de água fria.
Repercussão imediata e regra clara
A decisão do árbitro gerou reclamações imediatas dos jogadores e da comissão técnica do Resende, que alegaram falta de critério na interpretação do lance. No entanto, a regra é clara: desde a mudança de 2010, o cobrador de pênalti não pode parar completamente a corrida antes do chute. A IFAB define que o movimento deve ser contínuo, e qualquer interrupção é punida com infração.
Especialistas em arbitragem ouvidos pelo ge lembram que a medida foi criada para impedir o que era considerado uma “driblabilidade” excessiva do cobrador diante do goleiro. A orientação da FIFA, seguida pelas federações nacionais, é que a paradinha seja tratada como conduta antidesportiva, o que justifica o cartão amarelo aplicado a Matheus Goiano.
O jogo, que segue em andamento no momento do lance, agora coloca o Resende na necessidade de buscar o gol sem a possibilidade de contar com a conversão daquele pênalti. O empate por 0 a 0 no segundo jogo, combinado com a vitória por 1 a 0 na primeira partida, manteria a equipe no caminho do acesso — situação que mudaria caso o Americano marque um gol, o que forçaria a decisão para os pênaltis, agora sem a paradinha.
O que diz a Lei 14 e o impacto na decisão
A Lei 14 das Regras do Jogo, que trata da marca do pênalti, estabelece que o cobrador deverá chutar a bola para frente e não pode tocá-la novamente antes de ela ser tocada por outro jogador. Além disso, a IFAB determina que a paradinha é ilegal, pois engana o goleiro de forma considerada não permitida. A sequência da corrida deve ser normal, sem pausas completas no movimento.
Na prática, o lance anulado reduz a confiança do Resende no momento mais crítico da temporada. Matheus Goiano, que havia sofrido o pênalti, viu sua tentativa de ampliar a vantagem se transformar em advertência e na retomada de jogo com tiro livre indireto para o adversário. A torcida presente no estádio e os espectadores que acompanhavam o ge em Tempo Real reagiram com surpresa, já que muitos ainda não conhecem a proibição que vigora no futebol há mais de uma década.
A partida entre Americano e Resende segue sendo acompanhada de perto por quem busca uma vaga na elite do futebol fluminense. A confusão criada pelo lance de Matheus Goiano deve continuar sendo assunto, principalmente se o placar fechado levar a disputa por pênaltis.”



