A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Tabellari para desarticular um esquema criminoso que simulava furtos e roubos de encomendas dos Correios com o objetivo de receber indenizações milionárias indevidas. A ação, que contou com o apoio da área de segurança da estatal, cumpre 10 mandados de prisão preventiva, incluindo três contra funcionários dos Correios, e 10 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada e dados pessoais de terceiros para comprar produtos em plataformas digitais. As mercadorias eram enviadas para destinatários fictícios, e, durante a entrega, carteiros envolvidos no esquema simulavam furtos ou roubos das encomendas. Posteriormente, os criminosos acionavam seguros previamente contratados para obter as indenizações.
As fraudes causaram prejuízos milionários aos Correios, conforme apurado pela PF. A operação mobiliza 50 policiais federais, que cumprem as ordens judiciais em endereços relacionados aos suspeitos. Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, peculato, estelionato e receptação.
Participação de funcionários
O envolvimento de empregados dos Correios foi essencial para o sucesso do esquema, pois eles simulavam os sinistros durante a entrega das encomendas. A PF não detalhou os nomes dos envolvidos nem os valores exatos das fraudes, mas confirmou que as indenizações eram pagas por seguradoras contratadas pela estatal.
As investigações tiveram início após denúncias internas e análise de relatórios de segurança dos Correios. A operação recebeu o nome de Tabellari, em referência à atividade de tabelionato, que envolve a formalização de documentos, muitas vezes utilizados de forma fraudulenta pelo grupo.
Impacto e próximos passos
Com as prisões preventivas, a PF busca interromper as atividades do grupo e aprofundar as investigações para identificar outros possíveis envolvidos. A estatal informou que colabora com as autoridades e adotará medidas administrativas contra os funcionários suspeitos.
O caso reforça a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de controle interno dos Correios para evitar fraudes semelhantes. A PF alerta que a manipulação de seguros e a simulação de roubos configuram crimes graves, com penas que podem ultrapassar dez anos de reclusão, somadas as acusações.



