A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (4) uma operação para desarticular um esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. A ação, batizada de Operação Falso Benefício, tem como alvo um grupo suspeito de conceder benefícios previdenciários fraudulentos.
Prejuízo estimado em R$ 12 milhões
Segundo a PF, as investigações apontam que o esquema causou um prejuízo de aproximadamente R$ 12 milhões aos cofres públicos. Os criminosos utilizavam documentos falsos para simular vínculos empregatícios e conseguir a concessão de aposentadorias e pensões. A fraude era cometida com a participação de intermediários que aliciavam pessoas interessadas em obter benefícios de forma irregular.
Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília. As equipes da PF estão nas cidades de Brasília (DF) e em municípios do Maranhão, como São Luís e Imperatriz. Durante as buscas, os agentes apreenderam documentos, computadores, celulares e outros materiais que possam auxiliar nas investigações.
Esquema envolvia servidores públicos
De acordo com a delegada responsável pela operação, Carla Mendes, há indícios de que servidores do INSS estariam envolvidos no esquema. "Identificamos a participação de funcionários que facilitavam a inserção de dados falsos no sistema", afirmou. Ela ressaltou que a PF continua analisando as informações para identificar todos os envolvidos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato previdenciário, falsidade ideológica e associação criminosa. As penas somadas podem ultrapassar 10 anos de reclusão. A PF informou que a operação é resultado de uma investigação que durou cerca de oito meses, com cruzamento de dados e quebras de sigilos bancário e telefônico.
Como funcionava a fraude
As investigações revelaram que o grupo atuava de forma organizada. Eles recrutavam pessoas em situação vulnerável, oferecendo a obtenção de benefícios como aposentadoria por tempo de contribuição ou pensão por morte. Para isso, criavam vínculos empregatícios fictícios em empresas de fachada, que também eram registradas em nome de laranjas.
Após a concessão do benefício, os fraudadores cobravam uma taxa que variava entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. Em alguns casos, os beneficiários eram orientados a sacar os valores e repassar parte do dinheiro aos intermediários. A PF estima que pelo menos 200 benefícios fraudulentos foram concedidos nos últimos três anos.
Impacto e próximos passos
A operação desta terça-feira é mais um passo no combate às fraudes previdenciárias, que causam prejuízos bilionários ao INSS todos os anos. Segundo dados do próprio instituto, em 2025 foram bloqueados mais de 100 mil benefícios suspeitos, economizando cerca de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.
O Ministério da Previdência Social acompanha o caso e informou que vai apurar a conduta dos servidores envolvidos. Em nota, a pasta ressaltou que "a integridade do sistema previdenciário é prioridade e que medidas administrativas serão tomadas". A PF não descarta novas fases da operação nas próximas semanas.
Os nomes dos investigados não foram divulgados. A corporação reforça a importância da denúncia anônima pelo telefone 191, da Polícia Federal, para auxiliar na identificação de novos esquemas.



