Perda da supremacia aérea nas periferias expõe falhas do Estado, diz Uchôa
Perda da supremacia aérea nas periferias expõe falhas do Estado

O conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Roberto Uchôa, afirmou que a perda da supremacia aérea nas periferias expõe falhas do Estado e que organizações criminosas transformaram o espaço aéreo das metrópoles em uma nova 'arena de combate'. A declaração foi dada após a circulação de imagens que mostram uma granada ainda presa a um drone sobrevoando o Morro do Quitungo, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O que aconteceu

Imagens divulgadas recentemente mostram um drone carregando uma granada sobre o Morro do Quitungo, evidenciando a capacidade do crime organizado de utilizar tecnologia para ações ofensivas. Para Uchôa, a situação é um sintoma de um problema mais profundo: a ausência do Estado em áreas de periferia e a consequente perda de controle sobre o espaço aéreo.

Em entrevista, Uchôa destacou que a utilização de drones para o transporte de artefatos explosivos é um fenômeno relativamente novo, mas que já se mostra preocupante. "O que estamos vendo é uma evolução das táticas criminosas, que agora incluem o uso de tecnologia de ponta para desafiar as forças de segurança", afirmou.

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Impacto na segurança pública

O especialista ressaltou que a situação não se limita ao Rio de Janeiro, mas se estende a outras metrópoles brasileiras. "As organizações criminosas estão se adaptando e encontrando novas formas de atuação, e o espaço aéreo das periferias se tornou uma arena de combate", disse Uchôa, que também é pesquisador na área de segurança pública.

Ele acrescentou que a resposta do Estado precisa ser ágil e coordenada, envolvendo não apenas as polícias, mas também políticas públicas de prevenção e integração social. "Não basta reagir aos ataques; é preciso ocupar esses territórios com presença efetiva do Estado, oferecendo serviços básicos e oportunidades para a população", explicou.

Dados e contexto

De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de ocorrências envolvendo drones em áreas de conflito aumentou significativamente nos últimos anos. Em 2023, foram registrados mais de 200 casos de uso de drones para atividades criminosas em todo o país, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior.

O caso do Morro do Quitungo é apenas um exemplo de uma tendência que preocupa as autoridades. A Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que está investigando o incidente e que já adota medidas para combater o uso de drones pelo crime organizado, incluindo a capacitação de agentes e a aquisição de equipamentos de interferência de sinais.

Reações e próximos passos

A declaração de Roberto Uchôa reforça o coro de especialistas que pedem uma atuação mais efetiva do Estado nas periferias. Para ele, a solução passa por uma abordagem integrada, que una segurança pública, desenvolvimento social e inteligência. "Precisamos de uma estratégia de longo prazo, que não se limite a operações pontuais, mas que promova a presença constante do Estado e o fortalecimento das instituições", concluiu.

Enquanto isso, a população das áreas afetadas convive com o medo e a incerteza. Moradores do Quitungo relataram à imprensa que os drones sobrevoam a região com frequência, muitas vezes à noite, e que a sensação de insegurança aumentou. A expectativa é que as autoridades apresentem um plano concreto para retomar o controle do espaço aéreo e garantir a paz nas comunidades.

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