Casal de pastores ordena destruição de provas
A Polícia Civil de Roraima investiga um casal de pastores evangélicos foragidos, Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, e Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, suspeitos de estuprar ao menos seis meninas. Segundo o inquérito, eles ordenaram que uma vítima de 18 anos e a tesoureira da igreja, Raquel Barros Lira da Silva, de 20 anos, destruíssem um celular que continha cerca de 14 mil fotos e vídeos usados como provas dos crimes sexuais.
Vídeo mostra destruição com marreta
Raquel gravou um vídeo em que ela, a vítima e uma adolescente de 17 anos quebravam o aparelho de Wenderson com uma marreta, a pedido do casal. O material foi enviado aos pastores e posteriormente chegou à polícia. A delegada Kamila Basto, responsável pela investigação, afirmou: “Ele tomou conhecimento que elas foram até a delegacia. Então eles fugiram de ônibus para Manaus. No caminho, lembraram que deixaram um celular com provas e pediram que as vítimas e testemunhas jovens fossem até a casa dele, pegassem o celular e destruíssem.”
Fraude processual e corrupção de menores
Além da destruição do celular, Wenderson ordenou que a adolescente de 17 anos registrasse um boletim de ocorrência online falso, informando que o aparelho havia sido furtado, sob a justificativa de que ele não poderia fazê-lo por estar em outro estado. A tesoureira Raquel também é investigada por corrupção de menores. Os restos do celular foram jogados em um bueiro próximo à Avenida Ville Roy, em Boa Vista.
Vítima em situação vulnerável
A Polícia Civil destacou que a jovem de 18 anos, que apagou a conta de e-mail e ajudou a destruir o celular, também era vítima de Wenderson. O inquérito aponta que ela vivia em extrema vulnerabilidade financeira e psicológica. Em depoimento de quase quatro horas, ela detalhou os abusos sofridos. Além das fotos e vídeos, contatos e o perfil da igreja em uma plataforma de vídeos foram apagados.
Defesa alega inocência
Em nota, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e nunca responderam a processos criminais. A defesa tenta acesso aos autos para se manifestar sobre o pedido de prisão. O casal permanece foragido.
Crimes investigados
Wenderson é investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.



