As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quarta-feira, 10, a Operação Trinus, uma das maiores ofensivas já realizadas contra a facção Terceiro Comando Puro (TCP). O objetivo é cumprir mandados de prisão contra 56 pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no Complexo da Maré, na zona norte da capital fluminense. Moradores das comunidades alvo relataram tiroteios durante a manhã.
Investigação revela esquema criminoso multifacetado
Investigações da 21ª DP (Bonsucesso) identificaram, por meio de análise de dados, diligências de campo, provas documentais e depoimentos, um esquema criminoso que associa tráfico de drogas a roubo de cargas, controle de serviços essenciais e lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Civil, foi identificada uma complexa estrutura criminosa que explorava seis frentes de modalidades criminosas para financiar, fortalecer e expandir o domínio territorial da facção em comunidades da região.
Roubo de cargas e lavagem de dinheiro
A principal frente da investigação apontou um esquema estruturado de roubos de carga e lavagem de capitais. As apurações indicam que criminosos ligados ao TCP eram responsáveis por ataques sistemáticos a caminhões e cargas que trafegavam pelas principais vias expressas do Rio: Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela.
Controle de serviços essenciais
Em paralelo, a facção exerce controle sobre serviços essenciais dentro das comunidades, como venda de gás, fornecimento de água e acesso à internet. A Polícia Civil também apontou que o TCP utilizava bailes funk na Vila do João, no Complexo da Maré, para circulação de dinheiro, venda de produtos, fortalecimento da imagem das lideranças e escoamento de produtos roubados.
Meta de roubos de celulares
Os agentes da 21ª DP identificaram ainda roubos e receptação de celulares. Os assaltos não eram ações isoladas, mas parte de uma estrutura organizada pela facção. Os bandidos atuavam sob ordens diretas do responsável pelo gerenciamento operacional dos roubos, possuíam armas, motos e metas objetivas de arrecadação, exigindo um número determinado de aparelhos desbloqueados por roubo. As vítimas eram abordadas e coagidas por criminosos armados, que desbloqueavam os celulares durante o assalto. A precificação era definida pela facção: aparelhos desbloqueados valiam até R$ 2,5 mil, enquanto bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.
Mapeamento da cadeia criminosa
A análise de encomendas, movimentações financeiras e registros de entrega permitiu mapear a cadeia criminosa: lideranças que impõem regras sob pena de morte, integrantes com função de vigilância, executores dos roubos nas vias públicas e receptadores que revendiam os produtos ilícitos.
Pornografia infantil
Os policiais também identificaram uma frente relacionada à pornografia infantil. A investigação teve início a partir de denúncias que apontavam a participação dos investigados em grupos digitais voltados à divulgação e troca de material de abuso sexual infantil. Os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens para trocar arquivos, incluindo vídeos com crianças e bebês em situações de abuso sexual explícito. Os arquivos identificados incluem material com vítimas desde bebês com menos de um ano até adolescentes.
A Polícia Civil afirma que a ação representa o retrato atual das facções criminosas, que utilizam diferentes atividades ilícitas para ampliar seu poder econômico e territorial. Com a operação desta quarta, as equipes buscam enfraquecer toda a estrutura que sustenta financeiramente a organização criminosa.
Mobilização policial
A ofensiva mobiliza equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), além de policiais militares do Comando de Operação Especiais (COE), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque.



