A Polícia Civil de Minas Gerais e do Distrito Federal deflagrou nesta quarta-feira (10) a operação Medusa, que resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em Montes Claros, no Norte de Minas. A ação visa combater o crime de extorsão praticado por meio do golpe conhecido como "falsa garota de programa". Até o momento, foram apreendidos 15 aparelhos celulares e drogas, o que levou a uma prisão em flagrante por tráfico.
Esta é a nona operação realizada na região em menos de um ano contra grupos envolvidos na mesma modalidade criminosa. Em entrevista coletiva, o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, Frederico Martins, explicou que a operação apura crimes praticados contra seis vítimas do Distrito Federal. "Estamos apurando quatro ocorrências envolvendo seis vítimas diferentes do Distrito Federal, todas praticadas por moradores de Montes Claros", afirmou.
Como funcionava o golpe
De acordo com as investigações, os criminosos utilizavam sites de garotas de programa para atrair clientes. As vítimas acessavam esses sites acreditando que estavam conversando com garotas de programa, mas, na verdade, do outro lado estava uma falsa garota de programa, que iniciava a conversa e coletava dados pessoais. Quando o cliente percebia que não haveria encontro, os criminosos começavam a enviar vídeos afirmando que pertenciam a facções criminosas e que iriam atrás da família da vítima. Com essas ameaças, as vítimas eram obrigadas a realizar pagamentos.
Divisão de tarefas e lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Civil, o grupo possuía uma divisão de tarefas bem definida. Havia suspeitos responsáveis pela criação de e-mails e chaves Pix, pela operação de contas bancárias de terceiros, pela centralização dos valores recebidos e pela possível lavagem do dinheiro obtido com os crimes. "Também foi identificada uma empresa vinculada à líder da organização, que movimentou mais de R$ 2 milhões em aproximadamente um ano, valor incompatível com o perfil apurado, mas compatível com a prática de lavagem de capitais", informou a PCDF.
Os presos e os materiais apreendidos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil em Montes Claros. As investigações continuam.
Operação Eros
Em maio deste ano, outras sete pessoas foram presas e oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Montes Claros durante a operação Eros, que investigou o mesmo tipo de crime. As investigações que culminaram nessa operação começaram em dezembro de 2025, após um casal de Taguatinga, no Distrito Federal, denunciar ter sido vítima de extorsão. Os mandados expedidos pela Justiça do Distrito Federal foram cumpridos nos bairros Independência, Nova Morada, Castelo Branco e Esplanada. Além das sete prisões, três adolescentes também foram apreendidos.



