Operação mira clínicas de estética em Manaus por procedimentos irregulares
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou uma operação contra clínicas de estética em Manaus suspeitas de realizar cirurgias íntimas sem a presença de equipe médica. A ação foi motivada pela denúncia de uma paciente que sofreu complicações graves e sequelas irreversíveis após uma ninfoplastia (cirurgia estética nos lábios vaginais) realizada em uma unidade da rede EstetiClin. O caso resultou na suspensão imediata das atividades profissionais e das redes sociais das envolvidas.
Investigação durou quatro meses
A polícia investigou a rede por quatro meses antes de deflagrar a operação, na qual foram apreendidos equipamentos, medicamentos e documentos nas unidades do bairro Adrianópolis e da Zona Leste de Manaus. A relação detalhada dos itens apreendidos não foi divulgada. As investigações apontam que procedimentos invasivos eram anunciados como puramente estéticos e "sem cortes" para atrair clientes por meio de aplicativos. No entanto, o uso de laser de CO2 para incisões caracteriza ato cirúrgico, que exige ambiente adequado e cirurgiões habilitados.
Profissionais suspensas pela Justiça
Uma cirurgiã-dentista, proprietária da rede, e uma biomédica tiveram seus registros profissionais suspensos por decisão judicial. Elas estão proibidas de atuar na área e de realizar qualquer tipo de propaganda de serviços enquanto durarem as investigações. A polícia apura se as suspeitas realizavam ilegalmente procedimentos privativos de médicos, como ninfoplastias e rinoplastias.
Procedimento irregular e riscos
A clínica utilizava um laser de CO2 para realizar incisões nos tecidos, o que caracteriza um procedimento cirúrgico invasivo e não apenas estético. Essas cirurgias eram feitas em salas inadequadas e sem a presença de uma equipe médica de apoio. Segundo o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), intervenções desse porte são atos médicos e exigem habilitação específica para gerenciar riscos. Profissionais sem formação médica não possuem capacidade técnica para identificar ou tratar complicações graves durante intervenções invasivas. Os riscos incluem deformidades permanentes, infecções generalizadas e até a morte do paciente.
Sequelas da paciente denunciante
A vítima precisou de atendimento de emergência no Hospital da Mulher, onde uma ginecologista constatou que a região operada estava "dilacerada". Após meses de tratamento para conter a infecção, ela ficou com a sequela irreversível de perda total da sensibilidade no clitóris. Ela apresentou receitas, prontuários médicos e laudos periciais como prova da negligência sofrida. A paciente relatou que, no pós-operatório, apresentou febre, vômitos e confusão mental, mas foi "ignorada" pela clínica.
Posicionamento da EstetiClin
A empresa informou que suspendeu as atividades temporariamente para um "procedimento de fiscalização" e afirma estar colaborando com a polícia. A clínica garantiu que nenhum paciente será prejudicado e que procedimentos ou pacotes pagos serão preservados. No momento, as unidades seguem fechadas e sem acesso aos canais de comunicação para remarcações.



