O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou, nesta quinta-feira (23), um vídeo com a simulação do voo 2283 da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024. A simulação foi exibida junto com o relatório final da investigação, que aponta as possíveis causas do acidente que matou 62 pessoas, o maior do Brasil desde 2007.
Falha no sistema de limpador de para-brisa
De acordo com o relatório do Cenipa, o avião não deveria ter decolado em horário com previsão de chuva porque apresentava uma falha no sistema de limpador de para-brisa. A investigação concluiu que essa condição contribuiu para o acidente.
Relembre o acidente
O voo 2283 caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio residencial em Vinhedo, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo – 58 passageiros e quatro tripulantes – morreram. Foi o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre com o voo da TAM, em 2007.
Logo após a tragédia, duas investigações foram abertas. O Cenipa passou a apurar os fatores que contribuíram para a queda e indicar medidas para evitar novos acidentes. Já a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar se houve crime e produzir um laudo próprio, já que o relatório do Cenipa não pode ser usado para responsabilização criminal.
Investigações e medidas posteriores
Um mês após o acidente, o Cenipa divulgou o relatório preliminar, que confirmou que a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo e registrou que a tripulação relatou uma possível falha no sistema antigelo durante o voo. O sistema foi acionado e desligado várias vezes, mas o relatório não concluiu a causa.
Em março de 2025, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass. Três meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA), impedindo a companhia de operar voos comerciais.
Na semana em que a tragédia completou um ano, o g1 publicou reportagens exclusivas, incluindo o relato de um ex-funcionário da Voepass sobre falhas no sistema antigelo não registradas no diário técnico da aeronave, e áudios das conversas entre piloto e copiloto antes da queda.
Em 30 de junho de 2026, familiares das vítimas tiveram acesso pela primeira vez às transcrições das conversas gravadas na cabine, durante uma reunião com a Polícia Federal.
Relatório final
Quase dois anos após a tragédia, o Cenipa concluiu as investigações e divulgou o relatório final, que reúne a análise técnica do acidente e recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias.



