A Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão regulador dos mercados futuros dos Estados Unidos, investiga um operador de teleprompter da Casa Branca suspeito de lucrar com palpites na plataforma de mercados de previsão Kalshi, utilizando informações confidenciais sobre discursos do presidente Donald Trump, de acordo com uma pessoa familiarizada com o caso.
Kalshi congela lucros e notifica CFTC
A Kalshi informou que congelou mais de US$ 90 mil em lucros mantidos em uma conta de cliente, após o operador supostamente utilizar informações privilegiadas para realizar palpites que renderam mais de US$ 100 mil na plataforma. A empresa afirmou ter identificado negociações atípicas em março e comunicado o caso à CFTC, que considera plataformas como a Kalshi bolsas de derivativos sob sua jurisdição. A investigação foi noticiada inicialmente pela ABC News.
Declarações oficiais e licença administrativa
“Nossa equipe de monitoramento identificou rapidamente essas operações e as encaminhou à CFTC após uma investigação interna da bolsa. Temos colaborado com os reguladores nesse assunto e fornecido as evidências coletadas, como fazemos em todos os casos encaminhados”, disse Robert DeNault, chefe de fiscalização da Kalshi, em comunicado divulgado nesta quinta-feira. A empresa não identificou o operador investigado.
Questionada sobre o caso durante uma coletiva de imprensa, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump considera o episódio “profundamente lamentável e, francamente, uma vergonha”. Segundo ela, o funcionário foi colocado em licença administrativa não remunerada, sem que sua identidade fosse revelada.
Mercados de previsão e mention markets
Plataformas online como Kalshi e Polymarket permitem que usuários façam palpites do tipo “sim ou não” sobre eventos futuros, desde eleições para o Congresso americano até participantes eliminados de programas de TV, como o reality show Love Island. Uma categoria específica desses contratos é conhecida como mention markets, vinculada ao que figuras públicas de destaque podem dizer em discursos ou eventos públicos.
No início deste ano, a Casa Branca orientou seus funcionários a não utilizarem informações confidenciais para negociar nesses mercados preditivos em eventos, que vêm registrando rápido crescimento. O alerta foi emitido após uma série de palpites considerados suspeitamente bem cronometrados levantar questionamentos sobre possíveis casos de uso de informação privilegiada.



