O velório do menino Oliver Golden Grayson, de três anos, morto no início de julho após ser agredido pelo pai, será realizado nesta quarta-feira (22), às 14h, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre. A cerimônia foi organizada pela prefeitura do município, e a mãe, Mayanna Rodgers, recebeu autorização judicial para comparecer. A família se enquadra nos critérios de vulnerabilidade para um 'velório social', previsto pela prefeitura.
Morte e prisão dos pais
Oliver morreu no dia 8 de julho. O pai, o missionário norte-americano D'Andre Jermaine Grayson, está preso preventivamente desde 5 de julho, e a mãe foi detida em 9 de julho. Os quatro irmãos da vítima permanecem em um abrigo. D'Andre confessou ter batido no filho porque a criança não lhe deu 'bom dia'. A defesa do homem pediu autorização para que ele participasse do funeral, mas a Justiça negou, citando riscos de segurança.
Investigação e atuação da Interpol
A Polícia Civil investiga se a mãe foi omissa ou participou das agressões, além de apurar possíveis falhas na rede de proteção à criança. O inquérito deve ser concluído no início de agosto. A Polícia Federal e a Interpol foram acionadas para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil. Segundo a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, os pais orientavam os filhos a esconder os machucados, usando roupas compridas e inventando histórias.
Reconhecimento do corpo e autorização judicial
A Justiça determinou que a mãe seja escoltada para fora da prisão para reconhecer o corpo do filho. O deslocamento de Mayanna da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba ao Departamento Médico Legal (DML) foi autorizado após o Ministério Público do estado (MPRS) informar que todas as perícias necessárias foram concluídas. A defesa de Mayanna informou que o DML já realizou o reconhecimento de Oliver por papiloscopia (impressões digitais, palmares ou plantares). Anteriormente, a direção do presídio havia negado a liberação extraordinária da detenta, sob o argumento de que a repercussão do caso gerava riscos à integridade física dela e dos agentes.
Antecedentes e falhas na proteção
As polícias civis de Santa Catarina e de São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam indícios de maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025. A polícia também analisou a residência da família, uma casa de madeira pequena, sem portas, com divisórias de panos. Em um inquérito separado, investiga-se se Mayanna sofria violência física e psicológica do marido. Até o momento, 11 testemunhas foram ouvidas, e a previsão de conclusão do inquérito é para agosto.
Posicionamento das defesas
Os advogados de D'Andre, Ismael Schmitt e Jader Santos, afirmaram que 'respeitam e compreendem os fundamentos utilizados pelo Magistrado' e recebem 'com alívio' a decisão que permitiu o reencontro da mãe com os filhos. Já a defesa de Mayanna, representada por Isabel Cochlar, Juliana Braun Martins e André von Berg, declarou que a constituinte é 'vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente', e que confia no devido processo legal.



