O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) acionou a Interpol para investigar o histórico do missionário norte-americano D'Andre Jermaine Grayson, preso preventivamente desde 5 de julho por espancar o próprio filho, Oliver Golden Grayson, de 3 anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A criança morreu no dia 8 de julho. A mãe, Mayanna Rodgers, também foi presa preventivamente no dia 9 de julho, suspeita de omissão. Os quatro irmãos de Oliver seguem em um abrigo.
Velório social e reconhecimento do corpo
O velório de Oliver deve ocorrer na tarde desta quarta-feira (22), conforme a defesa de Mayanna. A família se enquadra nos critérios de vulnerabilidade para um 'velório social', previsto pela prefeitura de Viamão. A Justiça determinou que Mayanna seja escoltada para fora da prisão para reconhecer o corpo do filho. A decisão, proferida na sexta-feira (17) pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal de Viamão, atendeu a um pedido do MPRS para viabilizar a liberação do corpo para sepultamento, segundo o MP. No entanto, a defesa de Mayanna afirma que o pedido foi feito pela defesa, sem participação do MP. O deslocamento da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba ao Departamento Médico-Legal (DML) foi autorizado após o MPRS informar que todas as perícias necessárias foram concluídas. A defesa informou que o IML já reconheceu Oliver por papiloscopia (impressões digitais, palmares ou plantares). Anteriormente, a direção do presídio havia negado a liberação extraordinária, alegando riscos à integridade física da detenta e dos agentes devido à grande repercussão do caso.
Investigação em andamento
Até o momento, 11 testemunhas foram ouvidas, e a previsão de conclusão do inquérito é no início de agosto. A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, afirmou que os pais orientavam os filhos a esconder os machucados, usando roupas compridas e inventando histórias para justificar as marcas. A polícia analisou a residência da família, uma casa de madeira pequena, sem portas, com divisórias de panos. A investigação apura a conduta da mãe, avaliando se ela foi omissa ou também praticava as torturas. Em um inquérito separado, a Polícia Civil investiga indícios de que Mayanna sofria violência física e psicológica do marido. As polícias civis de Santa Catarina e São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025. A Polícia Federal e a Interpol foram acionadas para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil. A polícia também investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão.
Detalhes do crime
Segundo a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, D'Andre confessou ter espancado o filho porque a criança não lhe deu 'bom dia'. Ele relatou ter desferido socos no peito e abdômen do menino e batido a cabeça da criança contra o chão. O crime ocorreu no distrito de Águas Claras.
Manifestações das defesas
A defesa de D'Andre, representada pelo advogado Ismael Schmitt, divulgou nota lamentando a repercussão e pedindo respeito ao sigilo judicial, afirmando que 'exposição midiática antecipada não substitui o processo'. A defesa de Mayanna, por sua vez, declarou que ela é 'vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica'. Ambas as defesas confiam no devido processo legal.



