Motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro podem entrar em greve a partir da madrugada de segunda-feira (29), após rejeitarem a proposta salarial apresentada pelo Rio Ônibus. A decisão final será tomada em assembleia marcada para domingo (28).
Negociações se arrastam há três meses
Segundo o presidente do sindicato, Sebastião José, as negociações salariais se estendem há cerca de três meses sem consenso entre as partes. Entre as principais reivindicações estão salário de R$ 5 mil para motoristas do sistema BRT e de ônibus articulados, remuneração de R$ 4 mil para os demais condutores, auxílio-alimentação de R$ 1 mil, implantação da escala 5×2, contratação dos funcionários do BRT pelo regime CLT, fim dos contratos temporários, manutenção do passe livre, planos de saúde e odontológico e pagamento de indenização pelo intervalo de almoço.
Além das questões salariais, a categoria afirma que enfrenta problemas estruturais durante a jornada. Entre as reclamações, estão a falta de banheiros e de locais apropriados para descanso nos terminais de ônibus.
Mediação no TRT-RJ sem avanço
O sindicato também informou que tenta há cerca de dez dias uma mediação junto ao Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), mas, até o momento, não houve avanço nas negociações.
Proposta do Rio Ônibus fica abaixo das reivindicações
Na última rodada de negociação, o Rio Ônibus ofereceu um reajuste de 4,39%, percentual calculado com base na inflação oficial acumulada até abril. Se a proposta for aceita, o salário dos motoristas de ônibus convencionais passará de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Já os condutores de veículos articulados da categoria E terão os vencimentos reajustados de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação também subiria, passando de R$ 660 para R$ 689. Porém, a oferta está abaixo das reivindicações apresentadas, o que mantém a orientação favorável à greve.
Impacto para milhões de passageiros
A paralisação ainda pode ser evitada se houver um novo entendimento entre empresas e sindicato antes da data prevista para o início do movimento. Até lá, a assembleia de domingo será decisiva para confirmar ou não a mobilização. Caso a greve seja mantida, milhões de passageiros poderão sentir os efeitos da paralisação. A maior parte dos deslocamentos por transporte coletivo na capital depende da rede municipal de ônibus, o que amplia o impacto de uma eventual interrupção do serviço. Trabalhadores, estudantes e demais usuários podem precisar recorrer a alternativas como aplicativos de transporte, caronas e outros modais caso a circulação seja suspensa.



