Justiça arquiva inquérito sobre morte de menino baleado por PM em Santos
Morte de Ryan: Justiça arquiva inquérito; MP investiga

A Justiça de Santos (SP) determinou o arquivamento do inquérito policial que investigava a morte do menino Ryan da Silva Andrade Santos, de apenas 4 anos, atingido por um disparo efetuado por um policial militar em 2024. A conclusão da Polícia Civil apontou legítima defesa por parte do agente. No entanto, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um procedimento interno para dar continuidade às apurações de forma independente.

Detalhes do caso

Ryan foi baleado durante uma operação policial no Morro São Bento, em Santos. Segundo a versão da Polícia Militar, os agentes trocaram tiros com aproximadamente dez suspeitos após perseguirem dois adolescentes que estavam em uma motocicleta. Gregory Ribeiro Vasconcelos morreu no confronto, e o outro menor ficou ferido. No meio da ação, Ryan, que brincava na rua, foi atingido no abdômen.

Investigação e arquivamento

O relatório final da Delegacia de Homicídios concluiu que o disparo partiu da arma do PM em legítima defesa. O delegado Thiago Bonametti afirmou ao g1 que não havia elementos para atribuir culpa ou imprudência aos agentes. O documento foi enviado ao MP-SP, que optou por não oferecer denúncia com base no conteúdo apresentado, mas decidiu abrir um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para buscar novas evidências.

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Um dos pontos questionados foi o reconhecimento, no Inquérito Policial Militar (IPM), da possibilidade de crime doloso por parte do policial que efetuou o disparo. Como se trata de uma morte civil, o caso não poderia ser julgado pela Justiça Militar. A Justiça Militar solicitou que o caso fosse levado a Júri na Justiça Comum. Contudo, os policiais optaram por permanecer em silêncio, e seus depoimentos não foram colhidos pela Polícia Civil.

Com o arquivamento do inquérito policial em 1º de julho, a Polícia Civil perdeu a atribuição para requisitar exames, depoimentos e perícias. A investigação passou a ser conduzida exclusivamente pela Promotoria de Justiça do MP, que já vinha atuando desde março de 2026. Após a conclusão do PIC, o órgão poderá oferecer denúncia contra os PMs ou solicitar novo arquivamento.

Reação da defesa

A advogada Andrea dos Santos Lemos, que representa a família de Ryan, repudiou a conclusão do inquérito. Em nota, ela afirmou que o relatório tenta legitimar a versão dos policiais e encobrir as circunstâncias reais da morte da criança. A decisão de arquivamento, segundo ela, reforça a parcialidade e o descaso da investigação policial. A defesa, no entanto, deposita esperanças no PIC conduzido pelo MP, confiando que uma análise rigorosa levará os responsáveis ao banco dos réus.

Laudo pericial

O laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo confirmou que o tiro partiu da arma do cabo PM Clovis Damasceno de Carvalho Junior. As investigações indicaram que Ryan foi atingido a vários metros de distância do confronto. O projétil apresentava abaulamento (deformidade) e chegou com energia final reduzida, sugerindo que a hipótese mais provável é que a criança tenha sido atingida após o ricochete do projétil. A Polícia Civil concluiu que essas evidências demonstravam a impossibilidade de prever a morte de Ryan por parte dos militares que agiam em legítima defesa.

Evidências do confronto

O relatório também destacou que o exame pericial do local confirmou o confronto entre policiais e os dois adolescentes. Foram encontradas armas de fogo ao lado dos suspeitos, e a comparação balística apontou disparos também das armas dos suspeitos. Vídeos publicados por Gregory nas redes sociais mostravam o jovem portando armas e provocando a atuação policial. O suspeito sobrevivente confessou envolvimento com o tráfico de drogas, afirmando que a dupla abastecia pontos de venda.

Contexto

Ryan perdeu o pai, que também foi baleado durante a Operação Verão. O caso gerou comoção e questionamentos sobre a atuação policial em comunidades.

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