No dia 5 de agosto de 2025, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza foram vistos pela última vez com vida em Icaraíma, no noroeste do Paraná. Um ano depois, os responsáveis pelas mortes deles ainda não foram presos. Os quatro homens morreram após cobrarem uma dívida de R$ 255 mil, gerada pela venda de uma propriedade rural. Os corpos foram encontrados enterrados em uma vala, a 650 metros de onde estava a picape usada por eles.
Desaparecimento e a dívida
No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma, contratados por Alencar para cobrar uma dívida. A polícia apurou que a dívida era referente à compra de uma propriedade rural por Antônio Buscariollo e seu filho Paulo Ricardo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhuma parcela foi quitada. Os cobradores receberiam metade do valor arrecadado caso tivessem sucesso.
Ainda no dia 4, todos foram até o distrito de Vila Rica para um primeiro contato com os suspeitos. Na ocasião, os Buscariollo tentaram oferecer uma casa na área urbana, mas não houve acordo. A câmera de segurança de uma panificadora registrou o último momento das vítimas com vida na manhã do dia 5.
Investigação e suspeitos
Os principais suspeitos são Antônio Buscariollo, de 66 anos, e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22. Eles foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol e possuem mandados de prisão temporária em aberto por homicídio. Após serem ouvidos no dia 6 de agosto de 2025, eles desapareceram junto com seus familiares.
Em dezembro de 2025, a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) revelou detalhes do caso, incluindo a suspeita de que dois policiais civis facilitaram a fuga dos Buscariollo. O g1 questionou a assessoria da corporação sobre o resultado dessa investigação, mas não obteve resposta até a última atualização.
Declarações do delegado
Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, nesta terça-feira (4), o delegado Thiago Inácio afirmou que não descarta a participação de outras pessoas no crime. “O local onde foram enterrados o veículo das vítimas, bem como os corpos, é um local tido como rota do tráfico, do contrabando. Há indícios de que esse grupo tenha ligação com esses crimes também. Mas até o momento nada foi comprovado”, disse.
O delegado garantiu que a investigação continua: “Os familiares querem justiça e têm todo o direito de exigirem isso do Estado. O que eu tenho a falar é que eles podem ficar tranquilos, que a Polícia Civil está trabalhando com o intuito de identificar todos os envolvidos e responsabilizar todos por esse crime”.
Perfil das vítimas
Diego Henrique Affonso, morador de Olímpia (SP), tinha passagens por ameaça, estelionato e outros crimes, mas nunca foi preso. Rafael Juliano Marascalchi, de São José do Rio Preto, era casado, pai e avô, e tinha histórico criminal que incluía tráfico de drogas e tentativa de homicídio, com prisões em 2005, 2007, 2008 e 2010. Robishley Hirnani de Oliveira, pai de dois filhos, tinha diversas ocorrências, incluindo estelionato e ameaça, e foi preso em 2022. Alencar Gonçalves de Souza, morador de Icaraíma, não tinha antecedentes criminais.
Descoberta dos corpos
O veículo das vítimas foi encontrado em 12 de setembro de 2025, enterrado em um bunker em uma área de mata fechada. Uma carta anônima indicou a localização, segundo o secretário de Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira. Os corpos foram localizados na noite de 18 de setembro, após 44 dias de buscas, com marcas de tiros, enterrados em uma vala coberta por plantas.
Defesa dos suspeitos
O advogado Renan Farah, que representa os Buscariollo, nega o crime e afirma não ter contato com os suspeitos. Ele reclamou do sigilo do processo: “O que a defesa espera depois de um ano é simples acesso aos elementos já produzidos, investigação completa e processo em que a defesa não seja tratada como obstáculo. Nós não queremos impedir a investigação. Queremos que ela chegue ao fim, mas que chegue até o fim, olhando para todos os envolvidos, todas as possibilidades e todas as provas, e não apenas confirmando uma hipótese escolhida no início”.



