Morre policial civil aposentado vítima de maus-tratos em Goiânia
Morre policial aposentado vítima de maus-tratos

Policial civil aposentado morre após ser vítima de maus-tratos em Goiânia

O policial civil aposentado Airton Alves Calixto, de 66 anos, morreu no último sábado (25), doze dias depois de ter sido hospitalizado em estado grave. Ele foi resgatado pela Polícia Civil no dia 13 de janeiro, em uma residência no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, apresentando sinais evidentes de desnutrição e lesões por pressão (escaras) em decorrência de falta de cuidados básicos.

De acordo com a TV Anhanguera, Airton vivia sob os cuidados do filho adotivo, Mateus Felix dos Santos, de 25 anos, que foi preso em flagrante no momento do resgate sob a suspeita de crime de maus-tratos. Com o falecimento da vítima, a investigação, conduzida pelo delegado Wladimir Freire, aponta que a tipificação penal pode ser alterada para homicídio.

Investigação aponta negligência como causa da morte

Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado Wladimir Freire afirmou que a morte de Airton está diretamente ligada às condições degradantes a que ele foi submetido. “A infecção que causou as escaras é porque ninguém movimentava e fazia a higiene desse idoso. Isso, por si só, caracteriza os maus-tratos”, explicou. O delegado acrescentou que, com o óbito, a suspeita de maus-tratos pode evoluir para homicídio, uma vez que o idoso faleceu em decorrência das feridas causadas pela situação degradante em que vivia.

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As escaras, também conhecidas como úlceras por pressão, são lesões na pele e nos tecidos subjacentes causadas por pressão prolongada, comuns em pessoas acamadas que não recebem mudanças regulares de posição e higiene adequada. No caso de Airton, as feridas evoluíram para infecções graves que levaram à septicemia e, por fim, à morte.

Histórico de violência contra idosos no Brasil

O caso de Airton Alves Calixto infelizmente não é isolado. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 35 mil denúncias de violência contra idosos em 2022, sendo a negligência um dos tipos mais comuns. A violência doméstica, muitas vezes praticada por familiares, é responsável por cerca de 70% dos casos de maus-tratos contra pessoas com 60 anos ou mais.

A morte de Airton levanta questionamentos sobre a efetividade das redes de proteção ao idoso e a necessidade de fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos competentes. A Polícia Civil de Goiás informou que o caso segue sob investigação e que novas diligências estão sendo realizadas para esclarecer todos os detalhes.

Filho adotivo preso em flagrante

Mateus Felix dos Santos foi preso em flagrante no dia do resgate de Airton e, desde então, permanece sob custódia. A reportagem do g1 questionou a Polícia Penal sobre a situação atual do suspeito, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria. A defesa de Mateus ainda não se manifestou publicamente.

O caso corre em segredo de justiça, e a expectativa é que o Ministério Público de Goiás ofereça denúncia nos próximos dias. Se condenado por homicídio, Mateus pode pegar de 6 a 20 anos de reclusão, além de multa.

Repercussão e como denunciar

A morte de Airton gerou comoção entre ex-colegas da Polícia Civil, que manifestaram pesar nas redes sociais. A instituição lamentou o ocorrido e afirmou estar acompanhando o desenrolar das investigações.

Para denunciar casos de violência contra idosos, a população pode ligar para o Disque 100 (Direitos Humanos) ou acionar a Polícia Militar pelo 190. O anonimato é garantido.

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