Morre irmão de Leide das Neves, vítima do Césio-137, aos 52 anos
Morre irmão de vítima do Césio-137 em Goiás

Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves Ferreira — a menina de 6 anos que se tornou o principal símbolo do acidente com o Césio-137 em Goiânia — morreu no sábado (25), aos 52 anos. Ele foi encontrado morto na casa onde morava, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. A causa da morte não foi divulgada.

A informação foi confirmada pela mãe de Lucimar, Lourdes das Neves Ferreira, que publicou uma foto do filho em abril deste ano e, na legenda, recordou o acidente: "Esse é meu filho Lucimar. Na época do acidente do Césio-137, estava com 14 anos. Amo você, meu filho".

Problemas de saúde e tratamentos

O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, Marcelo Santos Neves, afirmou que Lucimar estava com problemas de saúde e fazia tratamento médico. "Ele foi encontrado morto, dormiu e não levantou, na casa dele", resumiu. Marcelo contou ainda que Lucimar teve episódios de desmaio na rua. Em uma das ocasiões, a mãe precisou buscá-lo no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

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"Ele estava fazendo tratamento agora, não sei bem de quê, porque ele não correspondia aos tratamentos. Eu sei que teve umas duas vezes aí que ele deu um desmaio na rua. Inclusive Dona Lourdes me chamou, eu acho que tem uns três meses, eu fui buscar ele lá no Hugo, porque ele desmaiou e levaram ele para lá", detalhou Marcelo.

O acidente com o Césio-137

Lucimar era irmão de Leide das Neves Ferreira, que aos 6 anos tornou-se o rosto do maior acidente radiológico do Brasil. A tragédia começou em 13 de setembro de 1987, quando uma cápsula contendo Césio-137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radiologia, na Avenida Paranaíba, no Centro de Goiânia. A peça foi levada por catadores e posteriormente vendida ao ferro-velho de Devair Alves Ferreira.

Em 24 de setembro daquele ano, Ivo Alves Ferreira, pai de Leide, levou fragmentos da substância radioativa para a casa da família. A menina teve contato direto com o material e ingeriu partículas radioativas. Leide morreu em 23 de outubro de 1987, aos 6 anos, em decorrência da síndrome aguda da radiação. O acidente é considerado o maior acidente radiológico do Brasil.

Impactos duradouros

Mais de três décadas depois, as vítimas do Césio-137 ainda sofrem com sequelas e a falta de apoio médico adequado. A associação que representa os atingidos busca assistência contínua para os sobreviventes, que enfrentam doenças crônicas e dificuldades de acesso a tratamentos especializados. A morte de Lucimar das Neves Ferreira reforça os efeitos de longo prazo da radiação sobre os envolvidos no acidente.

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