Kim Yo Jong chama apelos da ASEAN por desnuclearização de 'sonho louco'
Kim Yo Jong rejeita apelos da ASEAN por desnuclearização

Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-Un e figura-chave nas comunicações e diplomacia do país, rejeitou os apelos da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) pela desnuclearização da Coreia do Norte. Em declaração divulgada no sábado, ela classificou os pedidos como um 'sonho louco, estúpido e tolo', reafirmando que o programa nuclear norte-coreano é uma 'linha de não retorno' para o regime.

Contexto da declaração

A fala de Kim Yo Jong ocorre em resposta a uma declaração da ASEAN, bloco que reúne dez países do sudeste asiático, que expressou 'grave preocupação' com o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte. No documento final da reunião de ministros de relações exteriores da ASEAN, realizada em Vientiane, Laos, o grupo pediu diálogo para uma 'península coreana desnuclearizada' e instou Pyongyang a cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Kim Yo Jong, que frequentemente atua como porta-voz de seu irmão, não poupou críticas à postura do bloco. 'É um sonho louco, estúpido e tolo pensar que a Coreia do Norte abandonará sua força de dissuasão nuclear', afirmou, segundo a agência estatal KCNA. Ela também acusou a ASEAN de se curvar à pressão dos Estados Unidos e de ignorar a 'hostilidade e ameaças' que o país enfrenta.

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Programa nuclear como linha de não retorno

A irmã do líder norte-coreano reiterou que o programa nuclear do país é 'a linha de não retorno', um termo que Pyongyang tem usado frequentemente para indicar que não negociará seu arsenal atômico. Desde 2022, a Coreia do Norte aprovou uma lei que autoriza o uso preventivo de armas nucleares e intensificou os testes de mísseis, inclusive balísticos intercontinentais.

Especialistas apontam que a postura intransigente de Kim Yo Jong reflete a posição oficial do regime, que vê as armas nucleares como garantia de sobrevivência. O país realizou seis testes nucleares desde 2006, sendo o último e mais potente em setembro de 2017, quando detonou uma bomba de hidrogênio. Desde então, Pyongyang não realizou novos testes nucleares, mas continuou a desenvolver mísseis de longo alcance.

Reações e implicações

A declaração de Kim Yo Jong foi recebida com preocupação pela comunidade internacional. Analistas avaliam que a rejeição ao apelo da ASEAN sinaliza que a Coreia do Norte não está disposta a retomar negociações de desnuclearização, que estavam paralisadas desde o colapso da cúpula de Hanói entre Kim Jong-Un e o então presidente dos EUA, Donald Trump, em 2019.

A ASEAN, que historicamente busca manter um equilíbrio entre as grandes potências, tem se mostrado cada vez mais vocal sobre a situação na península coreana. Em 2024, o bloco já havia expressado 'profunda preocupação' com o lançamento de mísseis norte-coreanos. No entanto, a resposta de Pyongyang sugere que os apelos regionais têm pouco efeito sobre o regime.

A Coreia do Norte argumenta que seu programa nuclear é defensivo e necessário diante das 'ameaças nucleares' dos EUA. Washington mantém cerca de 28.500 soldados na Coreia do Sul e oferece um 'guarda-chuva nuclear' a seus aliados. Para Pyongyang, a desnuclearização só seria possível após a retirada das tropas americanas e o fim das sanções.

Relações com a ASEAN

Apesar do tom duro, Kim Yo Jong reconheceu o papel da ASEAN como 'organização internacional importante', mas cobrou uma postura mais justa. Ela afirmou que o bloco 'deve se livrar da interferência de forças externas' e adotar uma posição independente. A Coreia do Norte mantém relações diplomáticas com a maioria dos países da ASEAN, mas os laços são limitados devido às sanções da ONU.

Em maio de 2025, Pyongyang nomeou um novo embaixador para o bloco, na tentativa de ampliar seu espaço diplomático. No entanto, a recente declaração de Kim Yo Jong pode complicar esses esforços. O regime norte-coreano continua a priorizar o fortalecimento de seu arsenal nuclear, mesmo às custas do isolamento internacional.

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