Moradores de Samambaia, no Distrito Federal, vivem com medo dentro da própria casa. Depois do início das obras do metrô, rachaduras começaram a aparecer nas paredes, chão e teto das residências. A Defesa Civil chegou a interditar uma dessas casas por risco de desabamento. Os problemas já duram cerca de um ano.
Relato de moradora
Viviane Morais, dona de uma das casas afetadas, relata o medo constante: "É bem complicado dormir, a gente fica com medo. Eu escuto um barulho, já fico olhando". As rachaduras estão por toda parte: no chão da sala até a cozinha, na parede, ao redor da janela e da porta. "Começou na área de serviço e, depois, foi aparecendo em vários lugares. Falei com o encarregado [da obra] e disseram que iam resolver. Mas continuou abrindo mais", conta a dona de casa.
Interdição e riscos
A casa de Viviane foi interditada pela Defesa Civil. O termo descreve que foram constatados "danos estruturais internos, caracterizados por afundamento generalizado do piso". O documento também cita "fraturas em vigas sobre vãos de esquadrias" e afirma que existe "risco de possível colapso parcial da estrutura". "A empresa colocou uns remendos [em uma das paredes] para ver se vai ceder, rachar, para eles avaliarem como vão fazer", explica Viviane.
A dona de casa precisa mudar, junto com as filhas, para a casa da mãe, ao lado. No entanto, o imóvel tem problemas elétricos. "Não é fácil. Tenho que arrumar a fiação para eu ir para lá porque quando liga a fiação da outra casa dá curto. Estamos arrumando devagar para ir para lá", conta.
Detalhes da obra
A obra é licenciada pelo Brasília Ambiental (Ibram) e se trata da expansão da linha 1 do metrô, com a construção de duas novas estações e 3,7 km de via permanente. A conclusão da obra está prevista para 2028.
Posição do GDF
Em nota, o Governo do Distrito Federal (GDF) esclarece que está fazendo a articulação entre a empresa responsável pela obra e os donos das casas afetadas. "A Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil do Distrito Federal informa que promoveu a articulação entre a proprietária do imóvel, a empresa responsável pela execução da obra e a Administração Regional de Samambaia, com o objetivo de estabelecer um fluxo permanente de comunicação e acompanhamento da situação. A iniciativa visa garantir o monitoramento contínuo das condições da edificação, a realização de avaliações técnicas complementares e, caso necessário, a implementação das intervenções cabíveis para mitigação dos riscos identificados. A atuação integrada entre os envolvidos busca assegurar que as medidas sejam adotadas de forma coordenada e tempestiva, priorizando a segurança dos moradores e o acompanhamento da evolução do quadro até a sua completa estabilização. A Defesa Civil do Distrito Federal continuará acompanhando o caso, prestando o suporte necessário no âmbito de suas competências e mantendo a interlocução entre as partes envolvidas sempre que houver necessidade de novas avaliações ou adoção de medidas preventivas."



