Mãe defende advogada que salvou família em incêndio e critica ataques
Mãe defende advogada que salvou família em incêndio

A mãe da advogada Juliane Vieira publicou um vídeo nas redes sociais para defender a filha, alvo de ataques e ofensas após relatar sua experiência durante o incêndio que queimou 63% do seu corpo, ocorrido em Cascavel, no Oeste do Paraná.

Na manifestação de Juliane, no dia 3 de junho, ela fez duras críticas ao Corpo de Bombeiros do Paraná. O incêndio aconteceu em outubro de 2025 e chamou a atenção pela coragem da advogada. Enquanto o apartamento da família pegava fogo, ela se pendurou no suporte de ar-condicionado externo, no 13º andar, e conseguiu retirar a mãe e o primo de 4 anos pela janela, passando-os para o apartamento vizinho. O resgate de Juliane, porém, foi feito pelo interior do apartamento em chamas.

Mãe critica ataques e pede empatia

No vídeo, publicado uma semana após a repercussão das declarações de Juliane, Sueli criticou os ataques direcionados à filha e pediu mais empatia. “Minha filha recebeu mensagens dizendo: ‘Você é ingrata’, ‘Deveria ter morrido’, ‘Por que não morreu?’. Espero que vocês nunca passem por uma situação como essa. Talvez não tenham a mesma coragem que ela teve”, afirmou.

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Em seu relato, Juliane disse que preferiria ter morrido a ser queimada viva. A advogada também afirmou que pretende processar o Estado e sustenta que as queimaduras ocorreram durante o resgate. As declarações dividiram opiniões nas redes sociais.

Ao defender a filha, Sueli reforçou as críticas ao atendimento dos bombeiros. “O Estado tentou encobrir um resgate muito mal feito, uma ‘cagada’ muito mal feita, mas a minha filha sobreviveu pra lutar contra esses protocolos que vocês dizem que seguem, protocolos que são uma ‘merda’”, afirma.

Resgate e consequências

Segundo Sueli, o Corpo de Bombeiros da cidade não tinha escada disponível para resgatar Juliane. Na época, um militar envolvido na operação afirmou que a equipe fez o resgate por dentro porque, pelo lado de fora, seria mais arriscado, alegando que o fogo estava muito avançado e não havia tempo para montar um sistema de retirada pela janela. Durante o resgate, Juliane foi coberta com um cobertor, mas ainda assim sofreu queimaduras.

Sueli destacou a gravidade das lesões: “Vocês não sabem o que é uma queimadura. Não sabem o que é viver essa dor”, declarou.

O g1 entrou em contato com o Estado, mas até a última atualização não houve manifestação sobre as acusações.

Relembre o caso

O incêndio ocorreu na manhã de 15 de outubro, em um apartamento no 13º andar, no cruzamento das ruas Riachuelo e Londrina, no bairro Country, em Cascavel. As imagens de Juliane pendurada no suporte de ar-condicionado viralizaram.

No apartamento estavam a mãe, Sueli, de 51 anos, e o primo, Pietro, de 4 anos. Após ajudar os dois, Juliane foi resgatada pelos bombeiros. Sueli teve queimaduras no rosto, pernas e inalou fumaça, além de vias respiratórias queimadas. Ela ficou 11 dias internada no Hospital São Lucas, em Cascavel. Pietro foi transferido para Curitiba devido à inalação de fumaça e queimaduras nas pernas e mãos, ficando 16 dias internado e recebendo alta no fim de outubro.

Um bombeiro que ajudou no resgate teve queimaduras nos braços, mãos e parte das costas, foi internado e recebeu alta dias depois. Outro teve queimaduras nas mãos e passou por atendimento médico. Juliane ficou três meses internada. Atualmente, segundo a família, ela faz fisioterapia para se recuperar. As marcas das queimaduras estão em praticamente todo o corpo, incluindo braços, pernas e abdômen.

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