Uma dona de casa de 39 anos, Amanda de Sousa Gomes, foi impedida de deixar um mercado atacadista em Praia Grande, litoral de São Paulo, na noite de 13 de julho, após pagar as compras via Pix. Os funcionários alegaram que a transação não constava no sistema, mantendo-a retida por aproximadamente duas horas junto com seus dois filhos, de 3 e 20 anos, ambos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante o período, as crianças entraram em crise emocional, sem receber auxílio da gerência.
Detalhes do incidente
Amanda chegou ao Atacadão por volta das 19h30. Duas horas depois, apresentou a Carteira de Identificação da Pessoa com Espectro Autista (Ciptea) para atendimento prioritário, conforme previsto na Lei 10.048/2000. Um funcionário abriu um caixa exclusivo. Ela dividiu as compras em dois pagamentos via Pix: o primeiro, de R$ 234,46, foi concluído normalmente. O segundo, de R$ 186,01, apresentou erro de impressão na nota, mas o valor foi debitado de sua conta e o monitor do computador indicava a conclusão.
Mesmo com o comprovante de transferência, os funcionários informaram que a transação não constava no sistema e que ela não poderia sair até o valor ser estornado. Amanda ligou imediatamente para o banco, que confirmou a conclusão da compra e informou que o dinheiro não seria devolvido. "O gerente já tinha dado a ordem que era para me segurar lá. E, se eu tentasse sair, era para me impedir. Tanto que, pode ver, segundo as fotos, os seguranças ficavam em volta de mim e dos meus filhos", destacou Amanda.
Crise das crianças e acionamento da polícia
Às 22h22, Amanda acionou a Polícia Militar pelo 190. Foi orientada a ir embora e registrar boletim de ocorrência. "O meu filho correu e se escondeu atrás de um balcão porque uma moça começou a gritar: 'Você não vai sair, você não pagou'", lembrou. Ela só conseguiu deixar o local às 23h35, quando o pai da filha mais nova e um vizinho foram ajudá-la. Mesmo assim, seguranças disseram que a seguiriam até em casa se ela saísse com os produtos.
Amanda afirmou ter sofrido constrangimento e humilhação na presença de outros clientes. "Eu quero que outras mães não passem por isso. Que outras pessoas não necessitem passar esse vexame, calúnia e vergonha, igual eu passei sendo acusada de roubo e em cárcere. Fiquei das 21h30 até 23h35, sem que eles permitissem que eu saísse", lamentou. Ela acrescentou: "Se eu tivesse todo o dinheiro do mundo, eu pagaria para os meus filhos não passarem por isso e eu não tenho a necessidade de ficar com R$ 186. Eu me coloquei a todo momento à disposição".
Posicionamento do Atacadão
Por meio de nota, o Atacadão afirmou que houve "uma instabilidade sistêmica nacional no serviço de Pix" que impediu a conclusão da compra. A equipe explicou a falha e informou que o estorno seria automático. A rede lamentou o transtorno e reforçou o compromisso com o respeito ao consumidor. O caso foi registrado como calúnia no 2° Distrito Policial de Praia Grande na segunda-feira (20). A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a vítima foi orientada quanto ao prazo decadencial de seis meses para representação criminal.



