Uma médica veterinária de 42 anos foi presa em flagrante após atear fogo no marido, de 41 anos, em uma residência no bairro Santa Luzia, em Campo Grande. Em depoimento à Polícia Civil, a mulher afirmou que não tinha intenção de machucá-lo, mas sim pressioná-lo a confessar uma suposta traição. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante audiência de custódia nesta terça-feira (23).
Discussão começou por suspeita de traição
Segundo o depoimento, o casal está junto há 26 anos. A vítima é servidor do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e também reside em Brasília (DF) devido ao trabalho. As discussões iniciaram no domingo (21), quando a mulher passou a suspeitar de um relacionamento extraconjugal. Na segunda-feira (22), pela manhã, o assunto voltou a gerar briga.
“Eu queria que ele me dissesse, abrisse o jogo, porque o tempo todo ele falava de retomar o casamento, da gente ficar junto, mas não era o que eu sentia. Eu queria que ele me confirmasse”, declarou a investigada durante o interrogatório.
A mulher relatou que jogou um vidro de álcool sobre a mochila que o marido usaria para viajar a Brasília naquela tarde e, em seguida, acendeu um isqueiro. Ela afirmou que pretendia apenas assustá-lo, mas as chamas se espalharam rapidamente e atingiram a roupa da vítima. “Não fiz isso com a intenção de machucar ele, era mais de pressionar para que ele falasse a verdade e as coisas saíram do controle”, disse.
Filha ajudou a apagar o fogo
Ao perceber que a camiseta do marido estava pegando fogo, a veterinária tentou rasgar a peça para retirar o tecido em chamas. Durante a tentativa, os dois caíram no chão. A filha do casal, que estava na residência, usou uma mangueira para ajudar a conter as chamas.
Após o fogo ser apagado, o homem foi levado de carro para o Hospital da Cassems e, posteriormente, transferido para uma unidade hospitalar particular devido à gravidade dos ferimentos. A vítima sofreu queimaduras em cerca de 80% do corpo, foi colocada em coma induzido e permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Antes de ser entubado, o servidor relatou à equipe médica que a esposa havia sido a responsável por atear fogo nele. Com isso, o hospital proibiu a entrada da mulher para visitas. Em uma das tentativas de acesso à unidade de saúde, a Polícia Militar foi acionada e efetuou a prisão em flagrante da veterinária.
Prisão preventiva
Durante o depoimento, a suspeita afirmou estar arrependida. “É claro que eu me arrependo. Eu não queria ter feito isso, não era a minha intenção machucar ele”, disse. Na audiência de custódia realizada nesta terça-feira, a Justiça decidiu converter a prisão em flagrante em preventiva. Com a decisão, a médica veterinária será encaminhada para um presídio estadual e permanecerá presa enquanto o caso continua sendo investigado pela Polícia Civil. O estado de saúde da vítima segue considerado grave.



