Caso de marroquinas abandonadas mobiliza investigação policial
Marroquinas abandonadas: investigação em Cornélio Procópio

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) investiga um homem de nacionalidade marroquina suspeito de abandonar duas mulheres, também marroquinas, com seus filhos na rodoviária de Cornélio Procópio, no Norte do estado. O caso veio à tona após uma das vítimas denunciar o ocorrido à Polícia Militar (PM). Segundo o delegado Adriano Diogo, responsável pelo caso, o investigado é acusado de lesão corporal, dano e estelionato majorado pela vulnerabilidade das vítimas. Ele não está preso, mas será indiciado com base nos depoimentos convergentes das mulheres.

Abandono na rodoviária e agressões

O abandono ocorreu na manhã de segunda-feira, 23 de setembro. De acordo com a polícia, o homem levou as duas mulheres e as crianças – uma menina de 1 ano e dois meninos de 3 e 7 anos – até a rodoviária e as deixou sem dinheiro e sem condições de se comunicar, pois não falavam português. Durante o trajeto, uma das mulheres questionou a conduta do suspeito e foi agredida junto com o filho; o celular dela também foi danificado. A outra mulher foi deixada na rodoviária com os dois filhos, sem qualquer recurso.

Após serem resgatadas pela PM, as vítimas foram encaminhadas a um abrigo municipal em Cornélio Procópio, onde recebem apoio psicossocial. Cada mulher prestou depoimento separadamente, com auxílio de um tradutor. “Foram depoimentos convergentes, citando praticamente a mesma coisa com relação à conduta desse investigado, motivo pelo qual ele vai ser indiciado pelos crimes”, afirmou o delegado Diogo.

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Promessas de vida melhor e apropriação de dinheiro

As investigações revelaram que o suspeito atraiu as vítimas por meio de promessas de regularização migratória, emprego, moradia e escola para os filhos no Paraná. Uma das mulheres, de 27 anos, chegou ao Brasil em abril com um filho e passou um tempo em uma comunidade para refugiados em São Paulo, com visto de turista válido por 90 dias. Ela conheceu o homem pela internet, que se ofereceu para ajudá-la. A segunda mulher chegou ao país há cerca de 20 dias, com dois filhos, e recebeu as mesmas promessas.

Ambas viajaram juntas de ônibus para o Paraná e ficaram em uma casa supostamente alugada pelo investigado. “Elas não entraram com status de refugiadas e esse indivíduo prometeu conseguir o status de refugiado para que elas ficassem de maneira permanente no país. [...] Segundo os depoimentos, após conquistarem sua confiança, o investigado passou a exigir valores para supostos serviços, apropriando-se de aproximadamente R$ 7 mil das vítimas, além de expulsá-las da residência onde estavam hospedadas”, detalhou o delegado.

Versão do suspeito e novas frentes de investigação

O homem prestou depoimento e negou as acusações, afirmando que apenas queria ajudar as mulheres, que estariam passando fome em São Paulo. Ele apresentou documentos e comprovantes de pagamento de viagens, mas o delegado considera a versão contraditória. “Ele afirma que queria ajudar, mas a forma como tratou elas é totalmente contrária”, disse Diogo.

A polícia também apura indícios de que o suspeito promovia imigração ilegal, crime que será investigado pela Polícia Federal. O caso segue sob análise, e novas diligências estão sendo realizadas para esclarecer todos os fatos.

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