Um homem de 33 anos foi assassinado a tiros na noite deste sábado (25), no bairro Novo Parque Iracema, em Maranguape, Região Metropolitana de Fortaleza. Este é o segundo homicídio registrado no município em 2026, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). A vítima, cuja identidade não foi divulgada, morreu após ser atingida por disparos de arma de fogo em via pública. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso.
Contexto de violência histórica
Maranguape, cidade de aproximadamente 108 mil habitantes, ocupou o topo do ranking de municípios mais violentos do Brasil por dois anos consecutivos, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, referente aos anos de 2024 e 2025. Em 2025, foram registrados 106 homicídios dolosos e três mortes por intervenção policial, resultando em uma taxa de 100,3 mortes a cada 100 mil habitantes — a única do país com taxa superior a 100.
O último homicídio antes deste havia ocorrido em 28 de janeiro, no bairro Tabatinga. Apesar da redução expressiva em 2026, a cidade ainda carrega o estigma de violência. "Se você pensar proporcionalmente à população, a taxa é essa. Estatisticamente, ela [a de Maranguape] é a maior", explicou ao g1 o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio Lima.
Críticas ao ranking e queda em 2026
A Prefeitura de Maranguape, em nota divulgada na quinta-feira (23), contestou a metodologia do Anuário, classificando-a como "enviesada" e afirmando que "não reflete a realidade geral, pois omite dados fundamentais para uma análise estatística mais justa". A prefeitura destacou que, no primeiro semestre de 2026, houve uma redução de 97,4% nos homicídios em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados 39 crimes. Até o momento, apenas um homicídio havia sido contabilizado em 2026 antes deste caso, totalizando dois.
"Este número contrasta drasticamente com as 106 mortes de 2025, provando que o cenário de violência foi rompido", afirmou a administração municipal, acrescentando que a Região Metropolitana de Fortaleza registrou queda de 66,3% nos homicídios no primeiro semestre de 2026, com redução de até 83,5% em maio.
Explicação para os altos índices
Renato Sérgio Lima ponderou que, por ser uma cidade pequena, a violência tem impacto mais perceptível. "Um problema em Maranguape se mostra muito mais agudo do que em Fortaleza, que é maior, onde a população de um bairro não percebe o que acontece em outro. Como Maranguape é pequeno, acaba tendo esse efeito", disse. O estudo aponta que a escalada da violência é fruto de disputas territoriais entre facções criminosas, atraídas pela proximidade com rodovias estratégicas como a CE-065 e a BR-222, importantes corredores logísticos para o tráfico de drogas.
A SSPDS, em nota, ressaltou a redução da violência em cidades cearenses citadas no ranking, como Maracanaú e Caucaia. A pasta afirmou que Maranguape teve diminuição de 97,4% nos crimes violentos no primeiro semestre de 2026, reforçando as ações de segurança integrada na região.



