Maré: centro logístico do crime no Rio com remédios e carros roubados
Maré: centro logístico do crime no Rio com remédios e carros

O Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, consolidou-se como um centro logístico do crime organizado, beneficiado por sua localização estratégica entre as principais vias expressas da cidade. A Operação Metástase, deflagrada pela Polícia Civil, revelou que quadrilhas roubam medicamentos de alto custo e os redistribuem a hospitais por meio de empresas de fachada. Além disso, a região abriga desmanche de veículos e fabricação de drogas sintéticas, com forte domínio do Terceiro Comando Puro.

Operação Metástase: roubo de remédios e lavagem de dinheiro

Na terça-feira, 21 de julho de 2026, a Polícia Civil do Rio deflagrou a Operação Metástase, que investiga uma organização criminosa responsável pelo roubo de medicamentos de alto custo em hospitais públicos e privados. Os criminosos utilizavam empresas de fachada para revender os produtos a unidades de saúde, lucrando milhões. A investigação aponta que o esquema movimentou cerca de R$ 50 milhões nos últimos dois anos.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Marcos Oliveira, "a Maré se tornou um verdadeiro centro de distribuição de itens ilícitos, desde remédios até veículos. A localização privilegiada, com acesso à Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil, facilita o escoamento rápido dos produtos".

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Desmanche de veículos e drogas sintéticas

Além do roubo de medicamentos, a Maré abriga um dos maiores desmanches de veículos do estado. Carros roubados em diversas regiões são levados para o complexo, onde são desmontados e vendidos como peças. A Polícia Civil estima que mais de 200 veículos passam pelo local mensalmente.

Outra frente de atuação do crime na região é a fabricação de drogas sintéticas, como ecstasy e LSD. Laboratórios clandestinos foram descobertos em operações anteriores, evidenciando a diversificação das atividades ilícitas. O domínio do Terceiro Comando Puro (TCP) na área é absoluto, com a facção controlando pontos de venda de drogas e cobrando taxas de outros criminosos.

Operação Trinus e o Baile da Disney

A Operação Trinus, também recente, destacou o papel do "Baile da Disney" na arrecadação de recursos para o TCP. O evento, que ocorre periodicamente na Maré, reúne milhares de jovens e é usado como fachada para lavagem de dinheiro do tráfico. A polícia estima que cada edição do baile gere cerca de R$ 1 milhão para a facção.

As ações policiais, no entanto, enfrentam resistência violenta. Durante a Operação Metástase, criminosos atacaram viaturas com fuzis, resultando em troca de tiros. Um suspeito foi morto e dois policiais ficaram feridos. A Secretaria de Segurança Pública informou que vai reforçar o policiamento na região com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).

Impacto na segurança pública

A consolidação da Maré como hub logístico do crime preocupa as autoridades. O secretário de Segurança, Victor Santos, afirmou que "a localização estratégica do complexo exige uma ação integrada entre as polícias Civil e Militar, além de inteligência para desarticular as redes de abastecimento". Ele também anunciou a instalação de mais câmeras de reconhecimento facial nos acessos à comunidade.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, no primeiro semestre de 2026, os roubos de carga na região metropolitana do Rio aumentaram 15% em relação ao mesmo período de 2025, com muitos casos tendo a Maré como destino final. A expectativa é que as operações continuem nas próximas semanas.

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