A Vale rebateu as acusações de acionistas minoritários sobre a indicação do novo presidente do conselho de administração e defendeu a regularidade do processo. Em comunicado enviado ao mercado, a mineradora afirmou que a escolha seguiu rigorosamente as regras do Novo Mercado da B3, segmento de listagem que exige padrões elevados de governança corporativa.
Acusações de minoritários
Na última segunda-feira, um grupo de acionistas minoritários divulgou carta criticando a indicação de José Maurício Pereira Coelho para presidir o conselho, alegando que o processo teria sido conduzido de forma irregular e sem transparência. Os minoritários questionaram ainda a independência do indicado, que já integra o conselho desde 2021.
A Vale, no entanto, rejeita as críticas. Em nota, a empresa diz que a indicação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e que todos os procedimentos foram seguidos conforme o estatuto social e as regras do Novo Mercado. A mineradora também destaca que Pereira Coelho é um profissional de reconhecida experiência e que sua recondução ao cargo de presidente do conselho está alinhada com as melhores práticas de governança.
Defesa da regularidade
“A Vale reafirma que o processo de indicação e eleição do presidente do conselho de administração observou integralmente as normas aplicáveis, incluindo o Regulamento do Novo Mercado e o Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC”, diz o comunicado. A empresa acrescenta que a escolha foi precedida de “ampla discussão” entre os conselheiros e que não houve qualquer irregularidade.
A Vale também informou que o mandato de Pereira Coelho como presidente do conselho será de dois anos, conforme previsto no estatuto. A mineradora disse ainda que está aberta ao diálogo com todos os acionistas e que a governança da empresa é um de seus pilares estratégicos.
Impacto no mercado
O episódio ocorre em meio a um contexto de tensão entre a Vale e seus acionistas minoritários, que têm cobrado maior transparência e participação nas decisões da companhia. A mineradora, controlada por um bloco de acionistas que inclui fundos de pensão e o governo federal, tem sido alvo de críticas por sua política de dividendos e por questões ambientais.
Analistas do mercado financeiro avaliam que a polêmica pode gerar ruído de curto prazo, mas não deve afetar a trajetória de longo prazo da empresa. “A Vale tem uma governança consolidada e a indicação segue as regras. Acredito que o mercado vai absorver essa discussão sem grandes impactos”, afirma o analista da XP Investimentos, Rafael Barcellos. A ação da Vale fechou em queda de 0,8% na terça-feira, mas o movimento foi atribuído mais ao cenário externo do que à disputa no conselho.
Próximos passos
A assembleia geral de acionistas que elegerá o novo conselho está marcada para o dia 30 de abril. Até lá, a Vale deve continuar se defendendo das acusações e buscando apoio dos acionistas para sua chapa. A empresa já conta com o apoio dos principais acionistas controladores, mas precisará de maioria simples para aprovar a indicação.
Os minoritários, por sua vez, prometem levar a questão à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à B3, caso não haja mudanças no processo. Eles também estudam a possibilidade de convocar uma assembleia especial para discutir o tema. A Vale, no entanto, acredita que a questão será resolvida dentro da normalidade e que a governança da empresa sairá fortalecida.



