Manaus registrou aumento de 6,8% nas mortes no trânsito nos cinco primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) mostram que, entre janeiro e maio, foram 110 mortes, contra 103 registradas em 2025.
Zona Leste concentra maior número de vítimas
A Zona Leste concentrou o maior número de vítimas fatais no período, com 36 mortes. Entre as avenidas com mais registros estão a Torquato Tapajós, com sete mortes, a Autaz Mirim, com seis, e a Avenida Brasil, com quatro.
Motociclistas e pedestres são os mais vulneráveis
De acordo com o IMMU, motociclistas e pedestres continuam sendo os grupos mais vulneráveis no trânsito da capital. Nos cinco primeiros meses deste ano, morreram 56 motociclistas e 31 pedestres.
Para o especialista em trânsito Rafael Cordeiro, o crescimento da frota de veículos e a maior disputa por espaço nas vias ajudam a explicar o cenário. "Manaus tem mais de 1 milhão de veículos registrados. A cidade está inchada e a disputa por espaço ficou mais acirrada", afirmou.
Famílias convivem com as consequências dos acidentes
Além das estatísticas, os acidentes de trânsito deixam marcas permanentes em famílias que perderam parentes. A aposentada Lenize Pedroso Martins perdeu dois filhos em 1997, quando um caminhão desgovernado atingiu o muro da escola onde as crianças estudavam. Os meninos tinham 7 e 12 anos. "A gente está aqui com o filho e no dia seguinte ele está internado, não existe mais. É como se fosse um punhal atravessado no peito que ninguém tira", relatou.
Outra mãe que transformou o luto em conscientização é Fabíola Galvão, fundadora do Grupo de Apoio aos Pais na Saudade (GAPS). O filho dela morreu em 2003, aos 13 anos, após a condução escolar em que estava cair em um barranco. Desde então, Fabíola defende mais responsabilidade no trânsito. "Acho que as pessoas devem pensar mais nos pais e nas mães antes de sair de casa, porque eles esperam você voltar", acrescentou.



