Esquema bilionário de lavagem de dinheiro do jogo do bicho surgiu em Rio Preto
Lavagem de dinheiro do jogo do bicho nasceu em Rio Preto

O esquema bilionário de lavagem de dinheiro, alvo de uma operação na quarta-feira (29), foi idealizado por empresários em São José do Rio Preto (SP) para ocultar recursos do jogo do bicho e máquinas de azar, e posteriormente proposto ao crime organizado no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Empresários presos em Rio Preto

O empresário Alessandro Malavasi e seu filho Natan Malavasi, donos de uma construtora de alto padrão em Rio Preto, são apontados como chefes do grupo. Eles foram presos junto com outros dois funcionários da empresa durante a operação. Ao todo, cinco pessoas foram presas: quatro em Rio Preto e uma em Campo Grande (MS). Duas pessoas investigadas no Rio de Janeiro continuam foragidas. A Polícia Federal e o Gaeco cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em três estados.

Em nota enviada à TV TEM, o advogado de defesa Luiz Fernando Volpe informou que, como o processo tramita sob sigilo, ainda não teve acesso à investigação e, por esse motivo, não irá se manifestar neste momento.

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Estrutura de lavagem 'terceirizada'

Segundo o promotor Tiago Dutra Fonseca, a investigação apontou que o grupo não explorava diretamente os jogos de azar: o 'papel' deles era criar e administrar a estrutura financeira capaz de dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com atividades criminosas. 'A identificação até agora é que essa estrutura foi montada daqui para o Rio de Janeiro. Aqui [em Rio Preto] nós temos o comando de toda a estrutura empresarial. A investigação proporcionou toda essa visualização de um cenário criminoso de ponta a ponta, a 900 km de distância, desde a origem do recurso criminoso até a lavagem de dinheiro final', comenta o promotor.

O esquema usava milhares de maquininhas de cartão instaladas em bancas de jogo de bicho e videobingos, interligadas a empresas de fachada e registradas em nome de 'laranjas'. As empresas estavam registradas em nome de pessoas sem capacidade financeira, algumas beneficiárias de programas sociais, mas que apareciam como responsáveis por movimentações financeiras milionárias. As movimentações eram pulverizadas e, depois, o dinheiro era direcionado para empresas ligadas aos investigados. Mais de mil transações consideradas suspeitas foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Valores movimentados e bloqueio de bens

As investigações apontam que, entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas analisadas movimentaram cerca de R$ 2 bilhões. Desse total, pelo menos R$ 100 milhões teriam sido sacados em espécie. Conforme o promotor, o cumprimento dos mandados de prisão ocorreu porque havia indícios de que alguns investigados planejavam deixar o país, uma vez que já desconfiavam da investigação e existia a possibilidade de fuga para os Estados Unidos. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos de 18 pessoas físicas e jurídicas, incluindo contas bancárias, veículos, imóveis e criptoativos. Os investigados podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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