Justiça prorroga inquérito sobre morte de menino de 3 anos no RS
Justiça prorroga inquérito sobre morte de menino no RS

A Justiça do Rio Grande do Sul prorrogou por mais 10 dias o prazo para a conclusão do inquérito que investiga a morte de Oliver Golden Grayson, de 3 anos, ocorrida em 8 de julho em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (3), após solicitação dos investigadores da Polícia Civil. Os pais da criança, D'Andre Grayson e Mayanna Angelina Rodgers, seguem presos preventivamente.

Prorrogação e próximos passos

A delegada Luana Medeiros, responsável pelo caso, confirmou que a prorrogação foi autorizada e que a expectativa é de que o relatório final seja encaminhado às autoridades competentes em breve. "A remessa do inquérito deve ocorrer em um curto espaço de tempo", afirmou a delegada, sem detalhar prazos adicionais.

O caso ganhou um novo desdobramento na semana passada, quando a Justiça determinou a separação das investigações. A apuração sobre supostas agressões domésticas sofridas por Mayanna passou a tramitar de forma independente na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), enquanto o inquérito sobre a morte da criança segue na Vara do Júri.

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Relembre o caso

Oliver morreu após ser agredido dentro de casa. Segundo a investigação, o pai, D'Andre Grayson, missionário norte-americano, confessou ter batido no menino porque a criança não lhe deu "bom dia". O casal está preso preventivamente desde então.

A Polícia Civil apura se Mayanna foi omissa ou se teve participação nas agressões contra a criança. A conduta da mãe é analisada para esclarecer se houve omissão diante dos episódios de violência ou eventual envolvimento direto. A defesa de Mayanna informou que pretende protocolar um pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão preventiva.

Investigação sobre falhas na rede de proteção

Além da apuração sobre os responsáveis, a polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão, onde a família morava. O objetivo é esclarecer quais medidas foram adotadas diante dos sinais de maus-tratos que já eram acompanhados pelo Conselho Tutelar há oito meses.

O sepultamento de Oliver ocorreu apenas duas semanas após a morte. O caso gerou comoção e levantou questionamentos sobre a atuação dos órgãos de proteção à infância no município.

Nota da defesa de Mayanna

A defesa de Mayanna divulgou uma nota oficial na qual informa que, nesta segunda-feira (3), ocorre a primeira oitiva de Mayanna no inquérito que apura os episódios de violência doméstica que ela sofreu ao longo de anos. O depoimento está marcado para as 14h, por videoconferência, a partir da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, onde ela se encontra presa.

"A oitiva será acompanhada pela defesa e tem como objetivo detalhar os episódios de violência dos quais Mayanna foi vítima, contribuindo para o esclarecimento dos fatos e para a confrontação dessas informações com os depoimentos das testemunhas já ouvidas no curso da investigação", diz a nota.

A defesa também destacou que, a pedido dos advogados, a Justiça autorizou o desmembramento do inquérito, permitindo que a apuração da morte da criança e as denúncias de violência doméstica tramitem separadamente. A nota é assinada pelos advogados André von Berg, Isabel Cochlar e Juliana Braun Martins.

Contexto e desdobramentos

O caso de Oliver ganhou repercussão nacional e internacional, especialmente após a confissão do pai. Investigações anteriores apontam que D'Andre Grayson era suspeito de maus-tratos em três estados, e o Ministério Público acionou a Interpol para obter histórico sobre a família. Órgãos do menino foram doados após a morte.

O prefeito de Viamão chegou a admitir que "o Estado falhou" no acompanhamento da família, que era monitorada pelo Conselho Tutelar. A polícia agora busca entender por que as medidas de proteção não foram suficientes para evitar a tragédia.

A prisão preventiva do casal foi mantida, e a Justiça aguarda a conclusão do inquérito para decidir sobre o futuro do processo. A expectativa é de que novas testemunhas sejam ouvidas e que os laudos periciais sejam anexados ao relatório final.

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