Acidente que matou nutricionista em SP: passageiros dizem que não sabiam da gravidade
Passageiros dizem que não sabiam da gravidade do acidente

Os três passageiros que deixaram o local do acidente que vitimou a nutricionista Daniella Ferraz Rooth, de 25 anos, em Guarujá, no litoral de São Paulo, afirmaram à Polícia Civil que não tinham ciência da gravidade da situação. Eles se dirigiram para a residência de um dos ocupantes, de 26 anos, e somente no dia seguinte tomaram conhecimento da morte. Dois deles relataram que estavam dormindo no momento da colisão.

Dinâmica do acidente

O acidente ocorreu no bairro Pitangueiras, na madrugada de 18 de julho, a aproximadamente três minutos da casa da vítima. No total, oito jovens ocupavam o veículo, que retornava de uma festa em Santos (SP). Daniella faleceu após o carro, conduzido pelo empresário Murilo Abite, colidir contra um poste.

O Ministério Público (MP) ofereceu denúncia contra Murilo por homicídio e lesão corporal culposos, em razão da morte da jovem e dos ferimentos causados a outra passageira. O órgão solicitou ainda que ele indenize os herdeiros de Daniella em R$ 100 mil. A Justiça ainda não aceitou a denúncia, portanto, Murilo não é réu.

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Depoimentos dos passageiros

Inicialmente, apenas Murilo e outros três passageiros se apresentaram na Delegacia de Guarujá para prestar esclarecimentos. No entanto, por meio de imagens de monitoramento, a Polícia Civil identificou que outras três pessoas haviam deixado o local do acidente. O trio, composto por um casal, de 20 e 26 anos, e um jovem, de 20, compareceu à delegacia acompanhado de advogado no último sábado (1). Eles foram ouvidos como testemunhas e não são investigados pelo crime.

A jovem de 20 anos contou que estava no banco de trás e dormiu durante a viagem, despertando apenas com a batida. O companheiro dela, de 26, disse que estava acordado, porém distraído, e não soube explicar o motivo da colisão. O jovem de 20 anos, que viajava no porta-malas, afirmou que também acordou com o impacto.

O grupo relatou ter presenciado o resgate de Daniella, mas decidiu ir para a casa do homem de 26 anos por acreditar que a situação estava "sob controle". Conforme o depoimento, a residência fica a cerca de 500 metros do local da batida. O casal pernoitou no imóvel, enquanto o outro colega solicitou uma viagem por aplicativo para ir embora. Ao despertarem, receberam a notícia sobre a morte de Daniella.

Motorista denunciado

Murilo foi preso em flagrante após se recusar a fazer o teste do bafômetro e ter a embriaguez atestada em exame do Instituto Médico Legal (IML). Segundo o MP, a batida aconteceu "em razão da influência de álcool" e do "comprometimento da capacidade psicomotora" de Murilo. Ele foi solto após pagar fiança em audiência de custódia.

O MP-SP sustentou que Murilo agiu de forma imprudente e negligente ao dirigir o veículo embriagado e ao permitir que passageiros do banco traseiro trafegassem sem cintos de segurança. A promotoria pediu a condenação dele por lesão corporal e homicídio culposo. Além disso, os promotores solicitaram a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil aos herdeiros de Daniella. Em relação à outra passageira ferida, pediram reparação de ao menos três salários mínimos (cerca de R$ 4,8 mil).

Procurado pelo g1, o advogado Marco Magalhães, que representa o jovem, disse que a acusação está sendo analisada pela defesa, que se manifestará posteriormente nos autos.

Trajetória da festa

O g1 apurou que os jovens voltavam de uma festa realizada no Centro de Santos (SP) na noite de sábado (18). Murilo contou ter bebido aproximadamente duas cervejas no evento e esperado várias horas para retornar ao Guarujá, consumindo água durante o período. Ele afirmou que era amigo de Daniella, que pediu carona para voltar para casa.

De acordo com o relato dele, ao chegar às proximidades da casa dela, ele perdeu o controle do carro ao passar em um buraco na Avenida Leomil. Murilo disse não conseguir lembrar o que aconteceu depois. Ele também não mencionou os demais ocupantes do carro, mas a Polícia Civil foi informada de que passageiros no banco traseiro não usavam cinto de segurança, incluindo Daniella.

Conforme o relatório médico do hospital para onde a jovem foi encaminhada, a morte dela foi atribuída a um Traumatismo Cranioencefálico (TCE) grave e choque hemorrágico. As circunstâncias da morte, porém, ainda são investigadas pela Polícia Civil.

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