Júri de PMs acusados de executar jovem rendido em Paraisópolis começa com 13 testemunhas
Júri de PMs por execução em Paraisópolis começa com 13 testemunhas

O julgamento dos cabos da Polícia Militar Renato Torquato da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados da execução do jovem Igor de Oliveira Moraes Santos, de 24 anos, teve início às 13h42 desta terça-feira (28) no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. O crime ocorreu em 10 de julho de 2025, durante uma operação policial em Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, e foi registrado por câmeras corporais dos próprios agentes.

Composição do júri e cronograma

O júri é composto por cinco homens e duas mulheres. Até o momento, uma testemunha já foi ouvida. Ao todo, serão 13 testemunhas, além dos dois acusados. A previsão é de que o julgamento se estenda por dois dias: nesta terça-feira (28) serão colhidos os depoimentos das testemunhas, e na quarta-feira (29) estão programados os debates entre acusação e defesa. Antes do início da sessão, amigos e familiares de Igor acompanharam a chegada ao fórum.

Detalhes da acusação: execução de jovem rendido

Os dois policiais respondem por homicídio duplamente qualificado: por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. As imagens das câmeras corporais mostram quatro PMs subindo as escadas de uma casa em Paraisópolis. Outro policial já estava no imóvel com dois rapazes rendidos, com as mãos sobre a cabeça. Segundo a acusação, um dos agentes que aparece na porta efetua dois disparos. Em seguida, um policial pergunta ao rapaz de camiseta clara se ele tinha passagem pela polícia. Quando o jovem se levanta, dois policiais atiram. Igor foi atingido no peito e no pescoço e morreu. De acordo com a acusação, após os disparos, os agentes alertam sobre as câmeras corporais e efetuam mais dois tiros.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Manifestações da acusação e da defesa

O assistente da acusação e representante da família de Igor, Jonatha Carvalho, afirmou antes do julgamento: "Igor estava com as mãos para cima. Ele não esboçou qualquer tipo de reação que culminasse naquela execução. [...] Eles sabiam o que estavam fazendo. A gente não é contra a instituição Polícia Militar, que é muito importante para a sociedade, mas esses policiais mancharam o nome da corporação."

Já a defesa dos policiais sustenta que as imagens das câmeras corporais representam apenas um recorte da ocorrência e podem levar a interpretações equivocadas. O advogado do cabo Robson Noguchi de Lima, João Carlos Campanini, declarou: "Depois de um ano, há 15 dias atrás, nós tivemos acesso a essas imagens. Elas comprovam o antes e o depois de fato de que esses policiais militares agiram em legítima defesa." Ainda segundo a defesa, quatro pessoas estavam no local, além de terem sido encontradas três armas de fogo, grande quantidade de drogas e dois indivíduos procurados pela Justiça.

Outros envolvidos e reação social

Além dos dois cabos julgados nesta terça, os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus também respondem pelo mesmo crime, na condição de colaboradores dos executores. O processo deles foi desmembrado, ainda não há data para julgamento e ambos respondem em liberdade. Na época dos fatos, a Polícia Militar informou que os agentes verificavam uma denúncia de que o imóvel funcionava como um centro de distribuição de drogas. A corporação também afirmou que a análise das câmeras corporais indicou que a morte de Igor "não foi dentro de padrões que nós esperávamos dentro das excludências de ilicitude". A morte de Igor provocou protestos e atos de vandalismo em Paraisópolis. Antes do início do júri, o pai da vítima, Magdo de Moraes Santos, cobrou responsabilização: "Estava com a situação toda resolvida. Todo mundo rendido. Não justificava o que ele fez com ele. Se está errado, leva preso, que é o que manda a lei, o que tem que fazer, não matar por mero prazer."

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar