Jovens negros são 64,8% das vítimas da letalidade policial em 2025
Jovens negros: 64,8% das vítimas da letalidade policial em 2025

Em 2025, a letalidade policial no Brasil registrou 4.330 mortes em nove estados, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Dados da Rede de Observatórios da Segurança mostram que 64,8% das vítimas eram jovens negros de até 29 anos, evidenciando a persistente desigualdade racial no sistema de segurança pública.

Perfil das vítimas e estados analisados

O estudo compilou informações fornecidas pelas secretarias de segurança de nove estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. Juntos, esses estados concentram a maioria dos registros de letalidade policial do país. A análise revela que, além da predominância de jovens negros, 92% das vítimas eram do sexo masculino e 75% possuíam ensino fundamental incompleto.

Ocultamento de dados raciais

Estados como Maranhão e Ceará não forneceram dados raciais completos, dificultando a transparência e a formulação de políticas públicas. A Rede de Observatórios da Segurança critica a falta de padronização e a omissão de informações essenciais. "Sem dados raciais precisos, não é possível combater o racismo estrutural na atuação policial", afirma a coordenadora da rede, Silvia Ramos.

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Militarização e confronto

O estudo aponta que a militarização das polícias e a cultura do confronto contribuem para o aumento da letalidade. Em 2025, 78% das mortes ocorreram em supostos confrontos, muitas vezes com alegações de resistência. As regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores taxas, com destaque para o Pará, que registrou 1.200 mortes, um aumento de 15% em relação a 2024.

Impacto e reações

Organizações de direitos humanos repudiam os números e cobram medidas urgentes. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública classificou o cenário como "grave e inaceitável". Em nota, o Ministério da Justiça informou que está revisando protocolos de atuação policial e prometeu ampliar o monitoramento. No entanto, especialistas alertam que, sem mudanças estruturais, a tendência é de agravamento.

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