Uma jovem de 21 anos morreu no sábado, 13, em Limeira, interior de São Paulo, ao ser arremessada de uma ponte sem a corda de proteção durante a prática de rope jump, esporte radical semelhante ao bungee jumping. Maria Eduarda Rodrigues de Freitas foi vítima de um erro que chocou testemunhas e gerou comoção.
O acidente
O caso ocorreu na trilha da Ponte do Esqueleto. A corda que deveria ser presa ao corpo de Maria Eduarda ficou no chão, esquecida. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento da queda: a jovem é carregada de bruços por dois instrutores enquanto um terceiro observa. Antes de ser lançada, uma pergunta é ouvida: “É a corda, né?” Após o arremesso, a pessoa que grava grita: “Gente, a corda!” e filma o equipamento no chão.
Diferença entre rope jump e bungee jump
No bungee jump, a corda é presa aos pés, gerando um efeito ioiô. Já no rope jump, a pessoa é amarrada pela cintura e pelo peitoral, ficando sentada durante o salto. No caso de Maria Eduarda, nenhuma das amarrações foi feita.
Testemunha relata pânico
Higor Diniz, que testemunhou a morte, afirmou à EPTV que a jovem não passou pela inspeção de segurança e que várias pessoas, incluindo crianças de 6 anos, viram a queda. “Em todos os outros casos, os instrutores puxaram a corda e verificaram se estava tudo certo. No dela, não fizeram isso. Foi uma cena forte. Todos ficaram em pânico”, disse.
Investigação e prisões
Seis pessoas foram levadas ao Distrito Policial de Limeira para prestar esclarecimentos. Três delas, de 27, 32 e 42 anos, foram presas em flagrante por homicídio com dolo eventual – quando não há intenção de matar, mas assume-se o risco. No domingo, 14, a Justiça converteu a prisão em preventiva, sem prazo determinado. A Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações continuam.
Reação de especialista
Marco Antônio de Campos, presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, classificou o caso como “erro grotesco”. Ele afirmou que os instrutores “esqueceram metade da operação” e que o protocolo é conduzir a pessoa para que ela mesma pule. “A gente não joga o cliente assim. Isso é feito com amigos e instrutores experientes”, explicou.
Posição da prefeitura
A prefeitura de Limeira anunciou que vai processar o governo federal por omissão. Em nota, disse que desde o início de 2025 cobra medidas de segurança de órgãos federais. O prefeito Murilo Félix afirmou: “Além das circunstâncias da morte, é preciso apurar a falta de controle de acesso a uma área federal que há anos apresenta riscos.” A Secretaria de Patrimônio da União lamentou a morte e informou que a ponte pertencia a um trecho não implantado da RFFSA, com transferência patrimonial concluída em março de 2026.
Velório e homenagens
O velório de Maria Eduarda ocorreu na manhã de domingo. Valdinei Barbosa, seu professor de Educação Física na escola, lembrou que ela ajudava a organizar jogos e queria ser professora. “Era uma pessoa muito ativa e infelizmente foi vítima dessa tragédia.” A academia Panobianco Silverstone, onde ela trabalhava, publicou nota de pesar e fechou as portas em luto.



