As buscas por um jovem que desapareceu nas águas do rio Curuá-Una, em Santarém, no oeste do Pará, continuam nesta segunda-feira (27). O rapaz foi arrastado por uma forte correnteza no fim da manhã de domingo (26), enquanto tentava atravessar o rio a pé ao lado de um amigo, em um trecho conhecido pelas corredeiras e pela presença de muitas pedras.
O acidente e o relato do sobrevivente
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar, a vítima, que não teve a identidade divulgada, pescava no local desde o sábado (25) com outro jovem. Os dois decidiram atravessar o rio caminhando em direção a uma área com pedras, quando foram surpreendidos pela força da correnteza. O amigo contou que conseguiu completar a travessia, mas o jovem que vinha logo atrás foi arrastado pela água.
“Na hora que quando eu fui o primeiro, aí ele foi atrás de mim, e aí já a correnteza jogou ele pra ali assim. Fez a curva lá e levou ele”, relatou o sobrevivente.
Ainda de acordo com o amigo, a vítima tentou se manter na superfície, debatendo-se e batendo os braços, mas acabou submergindo e desapareceu nas águas. Após o acidente, o jovem percorreu a região em busca do amigo e, sem encontrá-lo, foi até a área urbana de Santarém para avisar a família.
Mobilização das equipes de resgate
Os familiares acionaram o Núcleo Integrado de Operações (Niop), que mobilizou o Corpo de Bombeiros. Equipes do 4º Grupamento de Bombeiros Militar (4º GBM) estiveram no local ainda no domingo para fazer o reconhecimento da área. Os militares constataram que o trecho do rio apresenta alto risco para operações de resgate, devido à forte correnteza, às corredeiras e às grandes rochas.
Segundo o sargento S. Júnior, do 4º GBM, as condições impediram o início das buscas submersas ainda no domingo. “É um cenário bastante complicado para trabalhar, com correnteza muito forte e muitas pedras”, explicou. Por causa das condições do rio e do horário em que as equipes chegaram ao local, os mergulhos foram adiados para esta segunda-feira (27), quando mergulhadores especializados iniciaram as buscas.
Desafios e perspectivas das buscas
O sargento informou que ainda não é possível prever onde a vítima poderá ser localizada, já que a força da correnteza pode ter deslocado o corpo por uma longa distância. “Assim como o corpo dele pode estar engatado aqui por perto, pode estar mais embaixo, então vai ser uma questão de tempo”, afirmou. Até a última atualização desta reportagem, o jovem continuava desaparecido e as equipes do Corpo de Bombeiros seguiam realizando buscas no rio Curuá-Una.
Riscos do trecho e alerta à população
A região onde ocorreu o incidente é conhecida localmente por suas corredeiras extremas e grande quantidade de rochas submersas, características que tornam a travessia a pé extremamente perigosa, mesmo para quem conhece o local. O Corpo de Bombeiros reforça a orientação para que banhistas e pescadores evitem atravessar rios em áreas de corredeiras, especialmente durante períodos de chuva, quando a correnteza se intensifica. O rio Curuá-Una, importante curso d'água na região oeste do Pará, apresenta variações sazonais significativas, e neste período do ano o volume de água costuma ser maior, aumentando os riscos de acidentes.
As buscas prosseguem com o apoio de mergulhadores e embarcações, mas as condições adversas dificultam o trabalho. A expectativa é de que, com o uso de equipamentos de busca subaquática e a expertise dos bombeiros, o corpo possa ser localizado, embora não haja previsão de conclusão das operações.



